“Se acredito no sonho americano? Hoje, não”, diz Michel Franco a Berlim

(Fotos: Divulgação)

Filme de maior (e melhor) acolhimento entre os concorrentes Urso de Ouro de 2025 já exibidos pela 75. Berlinale, “Dreams” leva Michel Franco a estrear-se por paragens alemãs após uma recorrente parceria com o Festival de Veneza e uma génese profissional em Cannes. Como nunca falta o cinema do México no Berlinale Palast, este ano foi a vez do realizador – um dos mais aclamados do seu país – levar a sua assinatura autoral a terras germânicas. “Eu Filmo com base na troca com o meu elenco e com Yves Cape, diretor de fotografia belga, que é meu colaborador mais próximo nos últimos anos, com quem fiz seis longas-metragens, num processo de comunicação em que eu nada preciso falar, só olhar“, respondeu Franco ao C7nema, em Berlim, ao falar sobre a dinâmica criativa de uma trama com foco nas sequelas da imigração entre a sua nação e os EUA. “Se acredito no sonho americano? Hoje, não. Nem faço parte do sistema hollywoodiano. Escrevo, produzo e realizo as minhas ideias, com a sorte de ter Jessica Chastain, uma das maiores atrizes do mundo, no meu elenco“.

Da mesma forma como fez uma parceria sólida com Tim Roth, a partir de 2015, em “Chronic” (laureado com o prémio de Melhor Argumento em Cannes), Franco tem estabelecido Chastain como a sua atriz assinatura. Fizeram “Memory“, em 2023, e unem-se agora no que o cineasta chama de “uma história de amor”.

O Michel provoca“, elogia Jessica. “Ele mergulha em espaços por onde outros realizadores não avançam. O que busco hoje são papéis que gerem debates“. Jennifer, a milionária vivida por Jessica em “Dreams”, é a administradora de uma fundação de filantropia que investe em dança, em São Francisco, num apoio a quem migrou. Passa a viver uma tórrida paixão com um bailarino do México: o jovem Fernando (Isaac Hernández). Vetores da política americana acerca de estrangeiros vão influir na relação de ambos, e liberar demónios no rapaz. “Quando procurei a Jessica para filmarmos de novo, a trama não tinha esse lado do balé. Aí vi o Isaac a dançar e ele é um dos maiores bailarinos deste mundo, responsável por reaproximar o México dessa arte. Foi quando resolvi incluir o balé na dramaturgia“, diz Franco, que se impõe como um forte candidato ao Urso de Prata de Realização.

A Berlinale segue até o dia 23.

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