Robert De Niro abre o seu passado a JR … e Cannes

(Fotos: Divulgação)

Dada a mediação escolhida pelo fotógrafo e cineasta JR para abordar a vida e a obra de Robert De Niro, o Rendez-vous de Cannes com o vencedor da Palma de Ouro Honorária de 2025 frustrou o público. Bem diferente do que aconteceu com Meryl Streep e George Lucas, em 2024, a conversa não abriu deixas para que a estrela de “Casino” (1995) expusesse saudades dos sets e do seu passado, ou contasse histórias com Martin Scorsese. Nem dos filmes que realizou falou. O que se passou foi a exposição de um projeto memorialista de JR sobre a relação do ator com o pai, o pintor Robert Henry (1922-1993). Há um registo documental no trabalho do artesão pop do retratismo urbano com De Niro na relação com Nova Iorque e Itália. As primeiras imagens que eles criaram foram projetadas no Palais des Festivals para antecipar o que deve se transformar numa instalação em vídeo ou numa longa-metragem. Eles não sabem ainda.

Essa é a forma que, hoje, mais me parece sensível e sensata. Pode ser que um novo caminho apareça, mas eu quero que meus filhos saibam quem foram os seus avôs“, disse De Niro, em respostas curtas, mas sinceras, típicas do seu jeito mais fechado, de escassa sociabilidade em eventos públicos.

Prestigiado pela presença de Quentin Tarantino e Claude Lelouch na Salle Debussy, JR tocou na questão de Robert Henry ter sido companheiro do poeta Robert Duncan, num romance que se desenrolou após o fim da sua união com artista plástica Virginia Admiral, mãe De Niro. Vieram à tona ainda questões sobre finitude, raízes culturais italianas e o enfrentar das memórias, na busca pelo reconhecimento do que é a real identidade do genial intérprete de “Raging Bull” (1980). “Na construção de um papel, ao ler um guião, o melhor impulso é sempre o primeiro“, disse De Niro, que participou recentemente em “The Alto Knights”, de Barry Levinson, a viver dois protagonistas, de traços distintos. Este ano, após Cannes, ele volta aos cinemas em “Tin Soldier”, de Brad Furman. O seu histórico nas salas da Côte d’Azur inclui a consagração de “Taxi Driver”, em 1976, e de “A Missão”, em 1986, ambos coroados com a Palma de Ouro. Ele cumpriu ainda a missão de presidir o júri do evento em 2011, cujo vencedor foi “A Árvore da Vida”.

Quando o público teve a hipótese de fazer perguntas, veio uma lembrança de “Era Uma Vez Na América“, que estreou em Cannes em 1984, e uma demanda sobre a cinefilia praticada por De Niro, que citou “A Bela e o Monstro” (1946), de Jean Cocteau (1889-1963).”Não vos diria qual foi o primeiro filme que me marcou, mas as produções de Elia Kazan, como ‘Há Lodo No Cais‘ e ‘Esplendor na Relva‘ tiveram uma grande importância para mim”, disse De Niro, que deu uma única justificação para a sua longevidade: “Acordo cedo“.

Cannes segue até 24 de maio.

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