Sexismo e código de valores impede “Dragon Ball” de voltar a TV espanhola

(Fotos: Divulgação)

Nos anos 1990 e 2000, “Dragon Ball” fez sucesso em todo o mundo, mas aqui ao lado, em Espanha, foi particularmente famoso na comunidade de Valencia, por ter ajudado a propagar – através da dobragem – a utilização do valenciano, tornando-se um instrumento eficaz na normalização da língua nativa através dos meios de comunicação públicos. O sucesso da série fez mesmo nascer um clube de fãs (Bola del Drac de Valência) com cerca de 10 mil associados, que tem sucessivamente pedido a sua reexibição.

O caso chegou mesmo à Assembleia da Comunidade Valenciana, onde a deputada da coligação Compromís -que reúne os partidos Bloco Nacionalista Valenciano, Iniciativa do Povo Valenciano e Verdes/Esquerda Ecologista do País Valenciano-, Mònica Àlvaro, questionou a hipótese “Dragon Ball” voltar a ser exibida na televisão regional valenciana, a À Punt.

Segundo Alfred Costa, diretor-geral da estação, isso não é possível: “Desconhece, mas por causa da legislação de género, do código de valores para o conteúdo infantil e do preço – que preferimos alocar a empresas valencianas que geram trabalho – neste momento temos dificuldade em programá-lo ”.

Já nos anos 90 a série recebia críticas pela violência na época, mas agora há um impacto sobre o sexismo no tratamento das personagens femininas, como Bulma ou Chi-chi (Kika em Portugal), que desempenham papéis discriminatórios e estereotipados, violando as normas e o programa da estação.

Segundo o El Pais, fontes do conselho diretivo da À Punt apontam que o atual código de valores é muito mais restritivo, especialmente para as crianças, e que a responsabilidade social é tida em conta como meio público. A À Punt afirmou ainda que estudou a possibilidade de programar a série em horário adulto, mas rejeitaram devido ao seu elevado custo.

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