Morreu John le Carré, mestre da literatura de espionagem

(Fotos: Divulgação)

Morreu, aos 89 anos John le Carré, agente dos serviços de inteligência britânica que se tornaria um dos autores mais consagrados na literatura de espionagem, com títulos como “A Toupeira” (Tinker Tailor Soldier Spy), “O Fiel Jardineiro” e “Casa da Rússia” a serem adaptadas ao cinema.

Nascido David John Moore Cornwell, em Poole, Reino Unido, a 19 de outubro de 1931, le Carré estudou na universidade de Berna, na Suíça, e na Universidade de Oxford em Inglaterra, tornando-se depois professor em Eton College antes de se juntar ao corpo diplomático britânico entre 1960 e 1964. A sua experiência nos serviços secretos terminou quando um agente duplo britânico, Kim Philby, denunciou a identidade de dezenas de compatriotas ao KGB. Ainda assim, o seu primeiro livro – “Chamada para a Morte em Portugal“, “O Morto ao Telefone” no Brasil – foi publicado enquanto estava no MI6.

Ao longo da sua carreira escreveu 23 obras, vários livros de não-ficção, contos e até guiões (“Um Crime quase Perfeito” e “The End of the Line“), destacando-se a criação da personagem de George Smiley, um contraponto intencional a James Bond – que ele acreditava representar uma versão imprecisa e prejudicial da vida de espionagem.

A Guerra Fria foi cenário de muitas das suas tramas, mas com o final dela o autor encarou outras temáticas como pano de fundo dos seus romances, como o terrorismo islâmico, o desmembramento da União Soviética, a política dos Estados Unidos da América no Panamá e as manobras obscuras da indústria farmacêutica no continente africano.

Além dos três exemplos já citados de adaptações ao cinema, encontramos ainda no grande ecrã versões de “O Espião Que Saiu do Frio“, “A Rapariga do Tambor“, “O Alfaiate do Panamá“, “O Homem Mais Procurado“, e “Um Traidor dos Nossos“.

A TV também serviu de plataforma para adaptar Le Carré, com “Tinker Tailor Soldier Spy“, “Smiley’s People“, “O Gerente de Noite” e “The Little Drummer Girl” a serem sucessos.

Segundo a imprensa britânica, Le Carré morreu no sábado à noite em Cornwall, Inglaterra, depois de uma curta doença que não tem qualquer relação ao COVID-19.

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