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O filme «Djeca» (Children of Saravejo), que teve a honra de abrir o Festival de Sarajevo depois de ter passado pela secção Um Certo Olhar (Un Certain Regard) em Cannes, é o filme selecionado pela Bósnia Herzegovina para concorrer à nomeação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Esta decisão é de certa maneira natural, ainda que existissem algumas outras obras com potencial para serem escolhidas, como «A Cell Phone Movie», de Nedzad Begovic .
No filme, assinado por Aida Begić, seguimos dois órfãos (Rahima e Nedim) da guerra da Bósnia. Eles vivem em Sarajevo, uma cidade que perdeu alguma moralidade, especialmente no que toca aos órfãos. Depois de anos em que o crime era a sua vida, Rahima encontra conforto no Islão e anseia que o seu irmão siga os seus passos. Porém, tudo se complica quando Nedim entra em confronto com o filho de um homem bastante poderoso localmente, levando Rahima a descobrir a vida dupla que o seu irmão tinha.
Recordamos que com esta escolha são já 18 as obras seleccionadas. Aqui fica a lista:
{xtypo_rounded2} Outros Filmes selecionados até ao momento
Alemanha
«Barbara» de Christian Petzold
«Barbara» passou e triunfou no passado Festival de Berlim (Urso de Prata para Melhor Realizador) e foi o filme mais nomeado prémios alemães de cinema (os Prémios Lola) com um total de oito nomeações (incluindo Melhor Filme, Realizador, Argumento e Ator). A obra acabaria por perder para «Stopped on Track» de Andreas Dresen, mas isso não evitou esta indicação.
No filme estamos na Alemanha de Leste e seguimos uma mulher que é castigada pelo regime após manifestar o desejo de sair do país. Para isso ela é transferida para a província onde vai descobrir o amor, mas também muitas duvidas (e paranóia) se o seu interesse amoroso não faz parte de mais uma manobra das Stasi (serviços secretos da Alemanha de Leste).
Austrália
«Lore» de Cate Shortland (Salto Mortal)
No filme, que passou recentemente pelo Festival de Locarno e está atualmente em Toronto, seguimos a história de cinco crianças que, após o pais serem detidos pelos aliados, vagueiam na Alemanha do pós 2ª Guerra Mundial. É aí que eles vão constatar com a realidade da sua nação, particularmente quando um rapaz de origem judia se junta a eles nesta jornada.
Áustria
«Amour» de Michael Haneke
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e protagonizado por Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva e Isabelle Huppert, o filme segue um casal de professores de música reformados que vê o seu amor testado quando a mulher sofre um AVC e fica parcialmente paralisada. De notar que a portuguesa Rita Blanco participa no filme num pequeno papel.
Azerbeijão
«Buta» de Ilgar Najaf
Filmado a preto e branco, na obra acompanhamos a tocante história de um órfão e de um homem idoso.
Cambodja
«Lost Loves» de Chhay Bora
Baseado numa história verídica, o filme acompanha Num Sila, uma das muitas mães que fizeram o que puderam para manter a sua família viva, mas que assistiram ao extermínio, terror e fome nos anos em que os Khmer vermelhos estiveram no poder.
Grécia
«Unfair World» de Filippos Tsitos
Esta comédia negra contemporânea segue um polícia desiludido com o estado das coisas e que decide distribuir justiça através dos seus próprios padrões humanistas. Na realidade estamos perante uma poderosa sátira, cujo título de certa maneira evoca o estado e a visão da sociedade grega atualmente.
Holanda
«Kawboy» de Boudewijn Koole
Nesta primeira longa-metragem de Koole seguimos Jojo, um miúdo de 10 anos que se relaciona com o pai numa zona rural. Já a mãe, diz-se que está em tournée nos EUA, mas na verdade é um tema que o pai tenta não abordar. Conseguirá o pequeno lidar com as violentas mudanças de humor do pai e derrubar as barreiras que cercam o seu coração?
Hungria
«Just The Wind» de Bence Fliegauf
Estreado em Berlim e vencedor do Festival Cinema Paris, «Just the Wind» baseia-se em factos reais, acompanha o terror que uma família romena vive após uma série de assassinatos racistas numa cidade húngara.
Japão
«Our Homeland» de Yang Yong-hi
Na obra seguimos um corano que visita a sua família no Japão após um longo exílio na Coreia do Norte.
Marrocos
Mort à Vendre» (Death for Sale) de Faouzi Bensaïdi
Vencedor do Prémio CICAE na secção panorama do Festival de Berlim. Na obra seguimos três amigos que em Tetouan, uma cidade marroquina, decidem roubar a maior joalharia da cidade para escapar a um futuro sem esperança.
Palestina
When I Saw You» de Annemarie Jacir
Passado na Jordânia em 1967, no filme seguimos um miúdo de 11 anos que foge de um campo de refugiados em busca da liberdade. De notar que esta obra terá ainda a sua estreia no Festival de Toronto.
Polónia
«80 million» de Waldemar Krzystek
Passado no início dos anos 80, este thriller com contornos históricos segue alguns elementos do Solidariedade que, para fugir à opressão que o regime comunista lhes impunha e o medo das suas contas serem congeladas, decidem retirar do banco 80 milhões de zlot que pertenciam a uma conta da organização. E pode-se dizer que este é já um dos candidatos à nomeação já que o estilo da obra certamente agradará uma audiência americana. Um grande destaque para o trabalho de Piotr Głowacki no papel de vilão.
Roménia
«Beyond The Hills» de Cristian Mungiu
A obra, premiada em Cannes com o Melhor Argumento e Melhor Atriz (ex aequoa Cristina Flutur e Cosmina Stratan) segue o relacionamento de uma freira e uma amiga num mosteiro ortodoxo romeno. Baseado no caso verídico de um exorcismo que Mungiufilma, a obra aborda questões ligadas ao desejo e à fé, representando a segunda entrada do romeno na corrida aos Óscares depois de em 2007 ter sido selecionado por «4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias».
Sérvia
«When Day Breaks» de Goran Paskaljević
Na obra seguimos um professor de musica reformado que após a descoberta de um antigo campo de concentração nazi vai descobrir a verdade sobre a sua origem.
Suécia
«O Hipnotista» de Lasse Hallström.
Considerado por muitos como a novela policial que cativou na Suécia os seguidores de Stieg Larsson e da sua trilogia Millennium, esta adaptação da novela de Lars Kepler (pseudónimo de uma dupla de escritores, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, escritora filha de uma portuguesa).
No livro/filme seguimos Erik Maria Bark, o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, ele jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora. Em Estocolmo, uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.
Ucrânia
«Firecrosser», um filme de Mykhailo Ilienko.
Na obra, também com contornos históricos, seguimos um piloto soviético de origem ucraniana que é feito prisioneiro dos fascistas durante a 2ª Guerra Mundial, é transformado em herói e posteriormente encarcerado num Gulag nos tempos de Estaline. Mais tarde, e num volte face impressionante, ele acabou como líder tribal no Canadá. O filme estreou no Festival Internacional de Kiev, certame onde ganhou o Grande Prémio.
Venezuela
«Rock, Paper, Scissors» (Piedra, Papel o Tijera) de Hernan Jabes
Com um tom a puxar a Inarritu e passando o ritmo infernal de Caracas para o grande ecrã, na obra acompanhamos duas famílias de classes diferentes em rota de colisão.
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