A Austrália, a Holanda e a Hungria foram os mais recentes países a anunciar candidatos à nomeação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, sendo agora já 16 os países que escolheram o filme a submeter.
Lore
No caso australiano, e tendo em conta que um filme em língua inglesa estava fora de questão, a opção recaiu em «Lore», um drama falado em alemão com assinatura de Cate Shortland (Salto Mortal). No filme, que passou recentemente pelo Festival de Locarno e está atualmente em Toronto, seguimos a história de cinco crianças que, após o pais serem detidos pelos aliados, vagueiam na Alemanha do pós 2ª Guerra Mundial. É aí que eles vão constatar com a realidade da sua nação, particularmente quando um rapaz de origem judia se junta a eles nesta jornada.
Já a escolha húngara recaiu em «Just The Wind», um filme de Bence Fliegauf que venceu assim a concorrência de obras como «Adventure», «The Exam», «Istanbul», «The Maiden Danced to Death» e «S.O.S Love! The Million Dollar Contract». Estreado em Berlim e vencedor do Festival Cinema Paris, «Just the Wind» baseia-se em factos reais, acompanha o terror que uma família romena vive após uma série de assassinatos racistas numa cidade húngara.
Just The Wiind
Finalmente, uma nota para a escolha de «Kawboy» pela Holanda. O filme, mais um que estreou no Festival de Berlim, é a primeira longa metragem de Boudewijn Koole e segue Jojo, um miúdo de 10 anos que se relaciona com o pai numa zona rural. Já a mãe, diz-se que está em tournée nos EUA, mas na verdade é um tema que o pai tenta não abordar. Conseguirá o pequeno lidar com as violentas mudanças de humor do pai e derrubar as barreiras que cercam o seu coração?
{xtypo_rounded2} Outros Filmes selecionados até ao momento
Alemanha
«Barbara» de Christian Petzold
«Barbara» passou e triunfou no passado Festival de Berlim (Urso de Prata para Melhor Realizador) e foi o filme mais nomeado prémios alemães de cinema (os Prémios Lola) com um total de oito nomeações (incluindo Melhor Filme, Realizador, Argumento e Ator). A obra acabaria por perder para «Stopped on Track» de Andreas Dresen, mas isso não evitou esta indicação.
No filme estamos na Alemanha de Leste e seguimos uma mulher que é castigada pelo regime após manifestar o desejo de sair do país. Para isso ela é transferida para a província onde vai descobrir o amor, mas também muitas duvidas (e paranóia) se o seu interesse amoroso não faz parte de mais uma manobra das Stasi (serviços secretos da Alemanha de Leste).
Áustria
«Amour» de Michael Haneke
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e protagonizado por Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva e Isabelle Huppert, o filme segue um casal de professores de música reformados que vê o seu amor testado quando a mulher sofre um AVC e fica parcialmente paralisada. De notar que a portuguesa Rita Blanco participa no filme num pequeno papel.
Azerbeijão
«Buta» de Ilgar Najaf
Filmado a preto e branco, na obra acompanhamos a tocante história de um órfão e de um homem idoso.
Cambodja
«Lost Loves» de Chhay Bora
Baseado numa história verídica, o filme acompanha Num Sila, uma das muitas mães que fizeram o que puderam para manter a sua família viva, mas que assistiram ao extermínio, terror e fome nos anos em que os Khmer vermelhos estiveram no poder.
Grécia
«Unfair World» de Filippos Tsitos
Esta comédia negra contemporânea segue um polícia desiludido com o estado das coisas e que decide distribuir justiça através dos seus próprios padrões humanistas. Na realidade estamos perante uma poderosa sátira, cujo título de certa maneira evoca o estado e a visão da sociedade grega atualmente.
Japão
«Our Homeland» de Yang Yong-hi
Na obra seguimos um corano que visita a sua família no Japão após um longo exílio na Coreia do Norte.
Marrocos
Mort à Vendre» (Death for Sale) de Faouzi Bensaïdi
Vencedor do Prémio CICAE na secção panorama do Festival de Berlim. Na obra seguimos três amigos que em Tetouan, uma cidade marroquina, decidem roubar a maior joalharia da cidade para escapar a um futuro sem esperança.
Palestina
When I Saw You» de Annemarie Jacir
Passado na Jordânia em 1967, no filme seguimos um miúdo de 11 anos que foge de um campo de refugiados em busca da liberdade. De notar que esta obra terá ainda a sua estreia no Festival de Toronto.
Polónia
«80 million» de Waldemar Krzystek
Passado no início dos anos 80, este thriller com contornos históricos segue alguns elementos do Solidariedade que, para fugir à opressão que o regime comunista lhes impunha e o medo das suas contas serem congeladas, decidem retirar do banco 80 milhões de zlot que pertenciam a uma conta da organização. E pode-se dizer que este é já um dos candidatos à nomeação já que o estilo da obra certamente agradará uma audiência americana. Um grande destaque para o trabalho de Piotr Głowacki no papel de vilão.
Sérvia
«When Day Breaks» de Goran Paskaljević
Na obra seguimos um professor de musica reformado que após a descoberta de um antigo campo de concentração nazi vai descobrir a verdade sobre a sua origem.
Suécia
«O Hipnotista» de Lasse Hallström.
Considerado por muitos como a novela policial que cativou na Suécia os seguidores de Stieg Larsson e da sua trilogia Millennium, esta adaptação da novela de Lars Kepler (pseudónimo de uma dupla de escritores, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, escritora filha de uma portuguesa).
No livro/filme seguimos Erik Maria Bark, o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, ele jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora. Em Estocolmo, uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.
Ucrânia
«Firecrosser», um filme de Mykhailo Ilienko.
Na obra, também com contornos históricos, seguimos um piloto soviético de origem ucraniana que é feito prisioneiro dos fascistas durante a 2ª Guerra Mundial, é transformado em herói e posteriormente encarcerado num Gulag nos tempos de Estaline. Mais tarde, e num volte face impressionante, ele acabou como líder tribal no Canadá. O filme estreou no Festival Internacional de Kiev, certame onde ganhou o Grande Prémio.
Venezuela
«Rock, Paper, Scissors» (Piedra, Papel o Tijera) de Hernan Jabes
Com um tom a puxar a Inarritu e passando o ritmo infernal de Caracas para o grande ecrã, na obra acompanhamos duas famílias de classes diferentes em rota de colisão.
{/xtypo_rounded2}