47ª edição do Festival de Karlovy Vary – «Good Vibrations» dá o mote do festival

(Fotos: Divulgação)

Situada na zona mais ocidental da República Checa, entalada no vale do rio Teplá, a pitoresca cidade de Karlovy Vary deve grande parte da sua fama às termas seculares e à quase meia década ao seu festival de cinema. Nesta 47ª edição, um número que serve de única ilustração do certame presidido por Jiri Bartoska, Helen Mirren, a actriz britânica de ascendência soviética, foi a homenageada escolhida para receber um prémio de carreira, ela que acompanhou também a exibição do seu mais recente filme, «The Door», do cineasta húngaro István Szabó.

Helen Mirren

Escolhido para a sessão de abertura foi «Good Vibrations», um filme muito curioso que reflete o impacto do movimento punk de Belfast, na Irlanda do Norte. E ainda a importância do dinamismo de Tim Hooley, conhecido como o padrinho do punk local, para a divulgação desse som vibrante contagioso que rimava com toda a carga de angústia sem futuro dos seus adolescentes, pouco calhados para alimentar os ódios de estimação entre católicos e protestantes. Ele que se considerava um forte adepto do reggae, acaba por ficar enfeitiçado pela batida e as melodias punk.

Pode igualmente dizer-se, sem errar, que se trata de um filme sobre o nascimento de bandas como os Outkasts, Undertones, entre outras. Um dos momentos mais contagiantes é mesmo quando Hooley escuta pela primeira vez o famoso tema “Teenage Kicks”, dos Undertones que será uma espécie de hino da juventude na transição da década de 70 para os anos 80 e a New Wave.

O que mais surpreende no filme do casal Lisa Barros D’Sa e Glenn Leyburn (Cherrybomb) é a vontade de serem fiéis ao estilo do movimento, ao rigor plástico da época, aliás bem acompanhada por muito material documental. Apesar de não se tratar de um filme musical, o som ocupa uma parte muito generosa da fita, devidamente complementada por imagens de concertos coreografados com muito realismo.

«Good Vibrations»

Mesmo não sedo uma obra-prima, fica bem a Good Vibrations esse lado militante de um movimento cultural que deveria merecer o devido reconhecimento, para além do lugar comum e estética dos Sex Pistols e do “sexo, drogas e Rock’n’roll”.

 

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