Foi anunciado na passada terça-feira, pelo realizador polaco Andrzej Wajda (Katyn), que já se iniciaram as filmagens da cinebiografia sobre Lech Walesa, o Prémio Nobel (1983) e chefe histórico Movimento Solidariedade, o mais poderoso sindicato polaco que nasceu nos Portos de Lenin. Este foi o primeiro movimento sindical não-comunista nos pais durante o bloco soviético e nos anos 80 constituiu um amplo movimento social anti-regime.
Para Wajda, realizador octagenário da mítica trilogia da Guerra («A Generation», «Ashes and Diamonds», «Kanal»), este será o filme mais difícil da sua carreira, tendo mesmo utilizado a expressão «Eu não quero, mas não tenho alternativa» – numa clara referência à mítica frase de Walesa utilizada numa campanha eleitoral no final dos anos 80.
Com o argumento de Janusz Glowacki, esta obra conta no elenco com Robert Wieckiewcz (que será Walesa) e Agnieszka Grochowska (desempenhará o papel da mulher de Walesa).
Vale a pena dizer que o Movimento Solidariedade tem estado em destaque nas telas dos cinemas polacos no passado recente, tendo sido abordado em filmes como “Popieluszko”, um filme que seguia vida do lendário capelão ligado ao Movimento e que acabaria por ser assassinado por agentes estatais aos 37 anos. Mais de 500 mil pessoas assistiram ao seu funeral e só anos mais tarde foram descobertos os contornos do seu assassinato, que envolveu também actos de tortura. Já em 1988, a cineasta polaca Agnieszka Holland realizou «To Kill a Priest» (Morte de um Inocente), um filme que contava a vida do clérigo e que era protagonizado por Christopher Lambert.
De qualquer maneira, esta é a primeira vez que a vida Walesa vai chegar aos cinemas.
Jorge Pereira

