Repescagem em curso no Festival do Rio

(Fotos: Divulgação)

Atento desde a sua génese, em 1999, à produção latina de língua espanhola, o Festival do Rio não poupou esforços para valorizar os seus hermanos sul-americanos ao desenhar o programa da sua prorrogação, que decorrerá de segunda a quarta-feira da próxima semana, após o encerramento oficial das atividades, este domingo. Esse suplemento chama-se “Repescagem”, termo emprestado do jargão futebolístico para designar a recuperação de equipas ou craques num campeonato.

O título de origem hispano-americana mais aguardado é um verdadeiro fenómeno de bilheteira portenho: Homo Argentum (na foto). Esta comédia arrecadou 1.080.000 bilhetes vendidos nas suas duas primeiras semanas em exibição no país atualmente presidido por Javier Milei. A projeção está marcada para as 16h30 de 15 de outubro, na sala Estação NET Botafogo 1. Guillermo Francella, astro de El Clan (2015) e da série de sucesso Meu Querido Zelador (2022-2024), divide-se em 16 personagens num mosaico de retratos da vida argentina. A realização é de Mariano Cohn e Gastón Duprat, a dupla responsável por O Cidadão Ilustre (2016).

O mesmo complexo exibidor que acolhe Cohn e Duprat apresentará O Agente Secreto esta terça-feira, às 21h30, para ampliar a receção calorosa do público carioca à produção brasileira com potencial para o Óscar. A longa-metragem protagonizada por Wagner Moura teve sessão na passada terça-feira e causou frisson, com direito à presença ilustre de Caetano Veloso — muso de Almodóvar e de Luca Guadagnino — na plateia. Além da sala principal da Rua Voluntários da Pátria n.º 88, o Estação NET Rio 5 e o Estação Gávea (salas 2 e 5) estarão também ao serviço desta prorrogação até quarta-feira.

O primeiro título a despertar interesse nesta fase extra da maratona cinematográfica é o thriller jurídico russo anti-Putin Two Prosecutors (Dois Procuradores), de Sergei Loznitsa. É possível ver este drama sombrio esta noite, às 19h, no Estação NET Botafogo. A narrativa decorre na União Soviética de 1937: milhares de cartas de prisioneiros falsamente acusados pelo regime são queimadas numa cela. Contra todas as probabilidades, uma delas chega ao seu destino — a mesa do recém-nomeado promotor local, Alexander Kornev. Este faz tudo para localizar o detido, vítima de agentes corruptos da polícia secreta (a NKVD). Bolchevique convicto e íntegro, o jovem promotor suspeita de um jogo sujo. A sua busca por justiça levará até ao gabinete do procurador-geral, numa capital engessada pela burocracia e pelo medo.

Na terça-feira, antes de O Agente Secreto, a aposta mais quente vem das Filipinas: Fernão de Magalhães, de Lav Diaz, será exibido às 16h30, também na sala Estação Botafogo 1. O realizador de A Mulher Que Se Foi (Leão de Ouro em 2016) recria os últimos meses da vida do explorador português Fernão de Magalhães, que morreu na Ásia em 1521. O resultado é um retrato íntimo e inquietante de um homem em confronto com as suas próprias trevas. A entrega do ator Gael García Bernal ao papel é absolutamente notável.

Na quarta-feira, às 14h45, no Estação NET Gávea, haverá uma projeção da cópia restaurada de Apocalypse Now, o clássico de Francis Ford Coppola que conquistou a Palma de Ouro em 1979. Já às 21h do mesmo dia, no NET Rio 5, será exibido Um Poeta, vencedor da competição Horizontes Latinos de San Sebastián e proveniente da Colômbia. Simón Mesa Soto é o realizador deste filme rodado em Medellín que emocionou o público em Cannes, onde recebeu o Prémio do Júri na secção Un Certain Regard, acompanhando a jornada de um trovador em crise.

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