“Failed State” e como “já não se fazem filmes sobre pessoas normais”

(Fotos: Divulgação)

Inserido na secção de maiores riscos do Festival de Turim, a Novos Mundos, “Failed State” marcou o regresso de Mitch Blummer a Torino, cinco anos depois da sua primeira presença no certame italiano. “Torino gosta de mim e eu gosto de Torino”, disse o cineasta, momentos anos do seu filme ter a sua estreia mundial.

Tanto reflexo do cinema de realismo social, quer como estudo de personagem, “Failed State” segue Dale (interpretado por Dale Smith), um mensageiro e entregador que tenta sobreviver numa Nova Iorque pandémica perante condições precárias. Ele não é de todo um sem-abrigo, mas muitos confundem-no com essa situação, dada a sua aparência e o saco cheio de tralha que carrega. 

Conheci o Dale há 10 anos. Ele foi figurante de uma curta-metragem minha. Fala muito e comecei a pensar em fazer um filme em seu torno. Ele é um mensageiro/entregador na vida real. Anos depois fizemos  outra curta com ele, um pouco similar a esta longa-metragem. Depois tinha um outro projeto, mas surgiu o Covid e pensei que nunca mais ia filmar. Segui a rotina diária do Dale e escrevi a história a partir disso”, explicou o cineasta sobre a génese do filme.

Um nova iorquino, nascido e criado, Dale é aquilo que chamamos uma pessoa normal, algo que para Mitch Blummer e Christopher Jason Bell, que correaliza o filme, deixou de surgir como foco no cinema. “Já não se fazem filmes sobre estas pessoas”, diz Blummer, acrescentando que essa realidade  é “triste”, mas que foi  uma das razões que o levaram a falar de Dale. “É uma pessoa normal, com problemas normais. A maioria do que vemos no grande ecrã vem mesmo da vida do Dale. O seu dia a dia, a relação com a mãe, onde vive, os amigos. Existe algo de documentário neste filme”.

Mitch Blummer e Christopher Jason Bell

Apesar da inspiração vir completamente de Dale Smith, existem elementos ficcionais inseridos no guião, incluindo um colapso nervoso que o protagonista tem. “O Dale verdadeiro está bem”, asseguram os cineastas, convidando todos a conhecerem-no se pisarem solo nova-iorquino. “Muita gente tira fotografias com ele”.

Para Blummer e Bell, pessoas como Dale existem em todo o lado, mas em Nova-Iorque, e especialmente depois da pandemia, a vida destas pessoas complicou-se muito. “Queríamos mostrar essa realidade”, concluem, dando indicação para a escolha do título do filme como reflexo do que observam no dia a dia.

O Festival de Turim termina no dia 2 de dezembro.

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