A atriz Nathalie Baye morreu aos 77 anos, anunciou a AFP este sábado. Com mais de cinco décadas de carreira, Baye tornou-se uma das figuras mais marcantes do cinema francês, reconhecida pela sua versatilidade e intensidade.
“Escolho os filmes pelo desejo”, disse a atriz ao C7nema, em 2022, por ocasião da estreia de Alta Costura, de Sylvie Ohayon, filme no qual interpretava Esther, uma das costureiras principais da casa Dior. “Leio os guiões e, em 10, há para aí 1 ou 2 que me interessam. E escolho-os não por um ou outro elemento, mas por vários. Claro que quero saber quem realiza o filme, a história tem de me interessar e a personagem tem de me dizer algo. Às vezes, também posso ter um tema interessante pela frente, mas a personagem não ser boa, ou o realizador envolvido não me agradar.”
Nascida em 1948, iniciou o percurso artístico na dança antes de se dedicar à representação, formação que aprofundou no Conservatório de Paris. Nos anos seguintes, construiu uma filmografia consistente, colaborando com com nomes como François Truffaut, que a dirigiu em Noite Americana (1973), Marco Ferreri (A Última Mulher), Bertrand Tavernier (A Juíza e o Assassino), Jean-Luc Godard (Salve-se Quem Puder), Nicole Garcia (Encontro de Fim de Semana), Bertrand Blier (O Padrasto) e Claude Berri (Um Parte, Outro Fica). “O primeiro realizador com que trabalhei foi o François Truffaut [A Noite Americana], e foi uma aula de como fazer um filme. Antes disso nunca na minha vida pensei que ia trabalhar em cinema. Como é que isso aconteceu? Bem, quando saí do conservatório houve um agente que assistiu a um concurso de lá e me abordou. Ele sabia que o Truffaut queria alguém para o filme. Inicialmente, não achou que seria eu, mas mandou-me ir lá no dia seguinte. Eu não sabia nada do Truffaut. Fui lá, li uns textos e ele disse-me: “vais ser a Joëlle”. A vida foi assim e hoje em dia não me imagino sem estar nesta profissão“.
Destacando-se em diferentes géneros — do drama à comédia —, a atriz conquistou quatro prémios César, incluindo o de Melhor Atriz por La Balance (1983) e Le Petit Lieutenant (2006), e participou ainda em projetos internacionais como Apanha-me Se Puderes (2002), Laurence para Sempre (2012) e Downton Abbey (2019).
“Há alguns anos recebi um César e foi a Meryl Streep quem mo entregou. Pouco depois, foi a minha vez de lhe entregar um César. E ela comentou que em França existiam mais papéis para mulheres de meia-idade e o público é muito fiel. Felizmente, um ano depois ela fazia Mamma Mia! (2008) e obtinha um enorme sucesso. E nunca mais parou. No meu caso, tenho feito bastantes filmes, entre grandes e pequenos papéis. Não me posso queixar”, disse a atriz em 2013 ao C7nema, quando estreava Laurence para Sempre em Portugal, uma experiência que caracterizou como “muito forte“, repetindo a colaboração com Xavier Dolan em Tão Só o Fim do Mundo (2016).

