5 perguntas a Nathalie Baye sobre «Laurence Para Sempre»

(Fotos: Divulgação)

Foi durante os Encontros da Unifrance, em Paris que tivemos a oportunidade de falar com a francesa veterana Nathalie Baye, acerca do arrojado filme do muito canadiano jovem Xavier Dolan. A Baye coube-lhe o papel da mãe da personagem de Melvil Poupaud, num momento da sua vida em que decide mudar de sexo, embora mantendo o amor pela sua namorada. Da nossa longa conversa, selecionamos uma mão cheia de perguntas.

Este é um filme muito forte. Como descreveria esta experiência?

 Sim, foi uma experiência muito forte… (risos) Sobretudo foi muito estranho presenciar o aniversário do realizador durante a rodagem – ele fez 23 anos. No seu primeiro filme, ‘J’ai Tué Ma Mère’, tinha 18 anos, depois o segundo com 20 e agora este com 22. Isto porque rodamos o filme em duas estações, no Inverno e Primavera, com um intervalo grande. Ele convidou-me quando nos encontramos em Montreal. O papel da mãe não é muito grande, mas é importante. Mas a minha ambição não é ser protagonista. Prefiro os encontros.

Como descreveria o Xavier? Um realizador carismático?

É um tipo carismático, mas sobretudo muito esperto e rápido. Ele tem imensas ideias. Mas sabe ouvir. Pode ser um pouco impaciente, mas também eu era quando tinha vinte anos… (risos) É engraçado, porque ele é bastante baixo e tem um certo complexo. Por isso, usa o cabelo em pé… (risos) Mas o Xavier é um realizador muito inteligente.

Soube compreender o papel de uma mãe cujo filho decide mudar de sexo?

Sim, soube. Embora tivesse uma dúvida, pois não sabia que quando um homem decide mudar de sexo, porque se sente uma mulher, eu achava que nesse caso, ele preferia estar com um homem. Mas não é assim neste caso, pois ele não muda de sexualidade. E pede ajuda à namorada para essa mudança.  É esse o ponto mais forte neste filme, sobre este homem apaixonado pela sua namorada. E que lhe pede para a ajudar nessa mudança. Por isso mesmo este filme é uma história de amor incrível.

Como foi que enfrentou a reação à mudança de sexo da personagem de Melvil? 

É claro que ela estranhou quando o filho dela deixa de ser filho para se transformar numa filha. Mas é apenas algo que leva o seu tempo. E pode ser apenas cinco minutos. No entanto, existe algo muito profundo entre uma mãe e um filho. 

Quando olha para a sua longa carreira, como avalia as possibilidades de papéis para atrizes? Qual é a sua opinião pessoal?

Fazem-me várias vezes essa pergunta, porque quando se passa a barreira dos 40 ou dos 50, normalmente torna-se muito mais difícil de trabalhar. Mas felizmente há ainda algumas boas atrizes a trabalhar: a Deneuve, a Huppert, outras. Quando temos uma longa carreira, como eu, com mais de 40 anos, pode acontecer que tenhamos muitos trabalho e anos com menos que fazer. Há alguns anos, talvez sete, recebi um César. E foi a Meryl Streep quem mo entregou. Pouco depois foi a minha vez de lhe entregar um César. E ela comentou que em França existiam mais papéis para mulheres de meia idade e o público é muito fiel. Felizmente, um ano depois ela fazia Mamma Mia e obtinha um enorme sucesso. E nunca mais parou. No meu caso, tenho feito bastantes filmes, entre grandes e pequenos papéis. Não me posso queixar.

 
 
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