Cinema pernambucano por escrito

(Fotos: Divulgação)

Incluído entre os 16 títulos da lista prévia de opções para a Academia Brasileira de Cinema decidir quem representará o Brasil na disputa por uma vaga na corrida ao Óscar, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi galardoado com o prémio principal do Festival de Lima precisamente quando a 53.ª edição da maratona de Gramado, que termina neste sábado, estava a começar. Na serra gaúcha, a referência ao thriller protagonizado por Wagner Moura, ambientado nos anos 70, surgiu por vias literárias. As diversas conquistas do filme em Cannes — onde concorreu à Palma de Ouro e trouxe para o Recife os prémios de Melhor Realização, Melhor Ator, além do prémio Fipresci e a distinção da Associação de Cinemas de Arte — foram evocadas durante o lançamento de um livro do advogado Diego Medeiros.

A sua obra A Potência do Cinema Pernambucano dá voz a criadores autorais de um estado brasileiro que gerou nomes como Cláudio Assis, Nara Normande, Tião, o já citado Kleber Mendonça Filho e Gabriel Mascaro, que abriu a edição de Gramado com O Último Azul. Diego é consultor jurídico especializado em audiovisual e já colaborou de perto com vários destes talentos.

O Último Azul traz a maturidade cinematográfica de Gabriel Mascaro e tem vindo a conquistar prémios e retornos extraordinários do público em pré-estreias realizadas por todo o Brasil. Hoje, este filme representa o ponto culminante da força do cinema pernambucano. Não é por acaso que ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim. O mesmo raciocínio aplica-se a O Agente Secreto. São dois filmes com uma profundidade cinematográfica e um potencial incrível. Estes resultados demonstram e confirmam aquilo que apresento no livro: o cinema pernambucano é hoje altamente reconhecido no Brasil e nos principais palcos mundiais do cinema“, explica Diego, que atribui este impulso às políticas culturais e às leis de incentivo do seu estado.

Pernambuco conta com festivais de peso, como o Cine PE e o Janela do Recife, além do Animage, hoje a maior montra de animação do Brasil. O autor destaca dois longas-metragens como marcos fundamentais: Baile Perfumado (1996, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira) e Cinema, Aspirinas e Urubus (2005, de Marcelo Gomes). Juntamente com o sucesso global de Amarelo Manga (2002), estes títulos marcaram significativamente a retomada do cinema pernambucano no cenário internacional.

Lírio Ferreira esteve presente no lançamento do meu livro em Cannes, e foi muito especial para mim aperceber-me de que também faço parte deste cinema e sou igualmente um dos seus agentes, já que acompanhei de perto — e por dentro — a expansão das carreiras destes cineastas e dos seus filmes. Lírio estava em Cannes para a estreia mundial do documentário Para Vigo Me Voy!, realizado por ele e Karen Harley em homenagem ao cineasta Cacá Diegues“, conta Diego, referindo-se ao filme carioca, mas realizado por pernambucanos, que concorre esta noite ao Kikito de Melhor Documentário em Gramado.

No próximo dia 31, a TV Brasil exibirá O Som ao Redor, longa que valeu a Kleber Mendonça Filho o Kikito de Melhor Realização em 2012, inaugurou a sua trajetória nos longas-metragens e se tornou um marco do cinema do Recife no mundo. Já no dia 12, o realizador apresentará O Agente Secreto na abertura do Festival de Brasília.

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