A farra de Wes Anderson

(Fotos: Divulgação)

Com estreia marcada em varios países (entre eles o Brasil) para 28 de maio, “The Phoenician Scheme”(“O Esquema Fenínicio”) há de ficar para a posteridade nas memorias de Cannes não pelo desempenho hilário de Michael Cera ou pela interpretação repleta de nuanças de Benicio Del Toro, mas, sim, por uma conferência de imprensa que parecia uma comédia slapstick pela sucessão de situações inusitadas. A farra correu solta. De caras, Bill Murray, fetiche do realizador Wes Anderson desde “Rushmore” (1998), chegou ao Palais des Festivais com uma roupa azul berrante, vestido com umas bermudas de praia, e se pôs na primeira fila, fora do palco, a agitar a plateia de jornalistas. Levantada a mão sempre que o seu nome era mencionado, clamava, aos gritos, por aplausos para seu colaborador mais habitual desde os anos 1990. Foi dele a ideia de puxar um parabéns para a filha do argumentista e produtor Roman Coppola, que faz anos hoje.

Aplaudiram ainda uma repórter que revelou estar no primeiro festival da sua carreira. Mais aplausos se fizeram ouvir quando uma jornalista do Japão contou ter ido à exposição sobre o legado de Wes em Paris, na Cinemateca Francesa. O cineasta, fez um clamor para que todos a aplaudissem.

Cada filme que faço é uma empreitada diferente“, disse Wes, que prometeu, na conferência, fazer uma continuação de “The Life Aquatic With Steve Zissou” (2004), que teve Murray como protagonista.

O comediante americano se pôs de pé novamente e foi saudar o realizador, que prometeu ainda convocar Cera para uma nova longa-megtragem. O ator de “Superbad” e de “Juno” (ambos de 2007) firmou a promessa com um aperto de mãos. “Estou já a escrever um novo filme. Será sombrio. Não vou dizer nada dele, pois estamos perante repórteres“, disse Wes, ao responder a uma pergunta feita a Del Toro sobre como ele imagina que a sua morte será. “Está-me a perguntar isso porque estou de roupa preta”, disse a estrela, vencedora do Oscar por “Traffic“, em 2001, e depois premiado em Cannes, em 2008, por “Che“. Tal pergunta faz referência aos vários atentados contra a vida do empresário que interpreta, Zsa-Zsa Korda.

The Phoenician Scheme” narra o périplo desse homem para forjar laços de afeto com a filha, Liesl (Mia Threapleton), enquanto guerreia contra o irmão que odeia, Nubar (Benedict Cumberbatch), e combate a espionagem industrial. “É um papel suculento, por estar cheio de contradições que encontro já formuladas nas páginas do guião“, disse Del Toro, que teve a atuação mais vibrante entre os atores que já desfilaram pelo certame de Cannes até agora. Além do seu elenco estelar, “The Phoenician Scheme” impõem-se pelos figurinos de uma diva do design de moda, Milena Canonero. A pedido do C7nema, Wes contou detalhes do seu processo com ela e, para variar, divertiu o público: “Trabalhamos há 23 anos juntos e passamos por Bill Murray nesse processo“, disse Wes. “Existe uma peculiaridade nela. Quando vou jantar com a equipa, não posso levar toda a gente para a mesa. Aí, ela aparece, sempre, todas as noites, e está sempre cercada pelos onze profissionais que trabalham consigo. Ela força-os a trabalhar por horas e horas sem parar. A Milena é assim“. “Às vezes, tens uma ideia do que um filme é e às vezes existem ideias do que ele deveria ser. Nem sempre são a mesma coisa, pois o guião leva-te para outro lugar“.

O Festival de Cannes segue até o dia 24 de maio.

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