Festa do Cinema Francês abre com “vingança e redenção, mas também com uma belíssima história de amor”

Antes de chegar aos cinemas a 31 de outubro, “O Conde de Montecristo” abre a Festa do Cinema Francês em Lisboa

(Fotos: Divulgação)

Apresentado fora de competição no Festival de Cannes este ano, “O Conde de Monte-Cristo foi o filme escolhido para abrir a edição 2024 da Festa do Cinema Francês, evento que decorre em Lisboa de 3 a 13 outubro, partindo depois para várias localidades do país.

Assinado por Alexandre De La Patellière e Matthieu Delaporte, a mesma dupla que lançou há 13 anos o hilariante “O Nome da Discórdia” e, mais recentemente, o díptico “Os Três Mosqueteiros”, “O Conde de Monte-Cristo” adapta mais uma vez ao cinema um clássico absoluto de Alexandre Dumas sobre um homem detido injustamente no dia do seu casamento, Edmond Dantès, que após 15 anos de cativeiro no Castelo da ilha de If, consegue escapar. Regressando à sociedade sob a identidade do Conde de Monte Cristo, este homem mostra-se pronto para se vingar dos três homens que o traíram.

É uma história de vingança e redenção, mas também com uma belíssima história de amor.”, explicou a dupla de cineastas em Cannes ao C7nema. “Todos os elementos bem misturados deixam-nos ofegantes. É um trabalho fundacional para nós e quando nos perguntaram um dia que filme gostaríamos de levar ao cinema, dissemos logo ‘O Conde Montecristo’“.

Enquanto Matthieu Delaporte conheceu a história do Conde de Montecristo quando era adolescente, e sentiu-a como “um golpe no coração”, Alexandre De Lá Patellière tem um registo com o projeto mais pessoal e íntimo já que descobriu no set das filmagens efetuadas pelo pai, Denys de La Patellière, na década de 1970, numa adaptação para a TV. 

“O Conde de Monte-Cristo

Sabendo que o livro já foi adaptado dezenas de vezes ao cinema e à TV, a dupla procurou “encontrar o seu caminho” por entre as 1400 páginas da obra original, não procurando referências nos mundos do audiovisual. “Talvez agora que o filme está pronto me dê ao luxo de ver outras adaptações”, brincou Delaporte, sendo complementado pelo ator protagonista no filme, Pierre Niney, que acredita que estamos perante uma adaptação “muito moderna”,  “diferente”, “mais negra e mais trágica, que “vai mesmo à transformação física da personagem”.

Quando temos uma história de amor tão forte com alguém, sentimos logo quando algo soa artificial. Era preciso modernizar, pois hoje em dia as coisas ficam datadas rapidamente”, explica Niney, que se agarrou à personagem durante as filmagens de modo a “sentir as feridas psicológicas e físicas” pelas quais Edmond Dantès passou. 

E embora reconheça que a nível pessoal este novo filme não tenha alterado muito a sua forma de ver o mundo, até porque “já desconfiava antes do ser humano” antes das filmagens, Niney reconhece que  Edmond Dantes “é um exemplo da violência no mundo” e como a “maldade” que cerca o protagonista vai mesmo “contaminá-lo”: “O medo gera medo. O ódio gera ódio. Os extremos geram extremos. É um círculo vicioso. Creio que isso é importante descobrir para uma nova geração que conhece este mundo de “O Conde de Montecristo”.

Apesar de ser o filme que abre oficialmente a Festa do Cinema Francês, pelas 20h no Cinema São Jorge, uma hora antes é exibida, na sala 3 do mesmo cinema, a comédia “Pequenas grandes vitórias”. O dia será encerrado com “Daaaaaali” de Quentin Dupieux.

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