Inicialmente analisada por júris populares e depois transformada numa das competições de Cinema mais disputadas das Américas, a mostra competitiva de longas e curtas brasileiras do Festival do Rio foi responsável por consagrar filmes de culto como O Natimorto (2006) e A Viagem de Pedro (2021), bem como sucessos de bilheteira como O Cheiro do Ralo (2006) e Separações (2002). Há 20 anos, a sua seleção redefiniu as bases de representação no audiovisual brasileiro, com títulos como Cidade Baixa (2005) e Crime Delicado (2005).

Nesta edição, a secção da maratona carioca que dá palco à produção nacional reúne 124 obras, incluindo séries de streaming. O programa combina vozes autorais de várias gerações — de Aurélio Michiles a Milena Manfredini, de Lucia Murat a Cíntia Domit Bittar — e abrange desde títulos em concurso a sessões de Midnight Movies dedicadas ao horror. Entre os destaques, está O Agente Secreto (2025), distinguido em Cannes com os prémios de Melhor Realização (para Kleber Mendonça Filho) e Melhor Ator (para Wagner Moura), que terá antestreia no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, na próxima terça-feira.
A maior expectativa do fim de semana recai, contudo, sobre a estreia de Gloria Pires na realização de longas. A atriz, conhecida por inúmeros êxitos televisivos e cinematográficos, filmou Sexa (2025), uma comédia sobre a aceitação das diferenças e o etarismo. A primeira exibição está marcada para domingo, às 21h30 (hora brasileira), no Cinesystem Belas Artes. Gloria interpreta Bárbara, uma mulher de 60 anos indignada com as injustiças do envelhecimento. Após o fim do seu último romance, decide abdicar do amor para preservar a relação com o filho, que a vê como uma idosa recatada. Mas Bárbara recusa o papel que lhe foi imposto e quer reescrever a sua vida através do verbo “amar”.
Na lista de longas preparada por Ilda Santiago e Walkíria Barbosa, diretoras do festival, um dos primeiros candidatos ao prémio Redentor é Love Kills (2025). Realizado por Luiza Shelling Tubaldini, produtora reconhecida por comédias como O Concurso (2013) e thrillers como Motorrad (2017) e A Princesa da Yakuza (2018), o filme adapta a graphic novel homónima de Danilo Beyruth. Selecionado também para o Festival de Sitges (9 a 19 de outubro, Espanha), a trama decorre num centro de São Paulo devastado pelo consumo de crack. Nesse cenário, uma jovem vampira, Helena, frequenta um café peculiar e desperta a atenção de um garçom ingénuo. À medida que ele descobre os segredos dela e o submundo da cidade, é arrastado para uma teia de intrigas. No elenco, destacam-se Thais Lago, Gabriel Stauffer, Iuri Saraiva, Tainá Medina e Erom Cordeiro.
A competição da Première Brasil encerra na próxima quinta-feira. Os vencedores, a anunciar no domingo, serão escolhidos por um júri presidido pelo distribuidor e produtor Eric Lagesse, que integra ainda a argumentista Carolina Kotscho, a figurinista Claudia Kopke, a produtora executiva Elena Manrique, o curador Javier Garcia Puerto, a realizadora Luciana Bezerra e a consultora e produtora Paula Astorga.
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CONCORRENTES DA PREMIÈRE BRASIL O FESTIVAL DO RIO 2025
PREMIERE BRASIL FICÇÃO
“A Vida de Cada Um”, de Murilo Salles
“Ato Noturno”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
“Coração das Trevas”, de Rogério Nunes
“Cyclone”, de Flavia Castro
“Dolores”, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
“Love Kills”, de Luiza Shelling Tubaldini
“Pequenas Criaturas”, de Anne Pinheiro Guimarães
“Ruas da Glória”, de Felipe Sholl
“Quase Deserto”, de José Eduardo Belmonte
“Virtuosas”, de Cíntia Domit Bittar
“#SalveRosa”, de Susanna Lira
PREMIERE BRASIL DOCUMENTÁRIO
“Amuleto”, de Igor Barradas e Heraldo HB
“Apolo”, de Tainá Müller e Isis Broken
“Cheiro de Diesel”, de Natasha Neri e Gizele Martins
“Honestino”, de Aurélio Michiles
“Massa Funkeira”, de Ana Rieper
“Meu Coração Neste Pedacinho Aqui – Dona Onete”, de Mini Kerti

