Uma das sensações latino-americanas do último Festival de San Sebastián, aplaudida também no TIFF, Glaxo, de Benjamín Naishtat, chega este domingo, dia 11, às 16h, ao Estação Claro Gávea 3, na reta final do Festival do Rio, antes de ganhar uma segunda oportunidade em solo carioca. Nesta terça-feira, dia 13, às 16h45, no Estação Claro Rio 5, a produção argentino-brasileira volta a ser projetada dentro de uma espécie de “repescagem”, que prolonga por três dias a programação do Festival do Rio depois do encerramento oficial da 28.ª edição. Filmada no Rio Grande do Sul, com fotografia de Pedro Sotero, a longa-metragem acompanha, entre os anos 1950 e 1980, a desintegração da amizade de um grupo de jovens numa pequena cidade dominada pela fábrica da Glaxo, abalada pela chegada do violento Folcada, interpretado por Marcelo Subiotto, e da sua mulher, Miranda, vivida por Lali Espósito. Ela e o realizador estão no Brasil.

Para Naishtat, a violência íntima e a política são indissociáveis: “O íntimo é sempre prefigurado pelo geral. Vivemos em relações sociais em que aquilo que acontece dentro de casa não está dissociado do que existe fora dela”, disse o cineasta ao C7nema, com o adendo de que a Argentina foi “configurada por violências sucessivas, diferentes ciclos, muitos traumas e muitas tragédias históricas”.
Lali, porém, recusa uma leitura simplista de Miranda como mulher subjugada: “Nunca trabalhei na linha de que é uma mulher submetida pelo marido. Pelo contrário, trabalhei uma mulher muito power ao lado de um homem com um perfil tremendo”. A atriz vê nela alguém que “decide sempre impor a sua liberdade e a sua forma de ser”, inclusive na relação de desejo e ternura estabelecida com o jovem Miguelito: “Por detrás de toda essa força há uma vulnerabilidade e também, seguramente, um medo de se abrir”.
Naishtat encontra ainda no arranque de Glaxo — com dois amigos a verem The Terminator (1984), de James Cameron, numa sala de projeção, em meados da década de 1980 — uma chave para a sua própria cinefilia e para a História argentina: “É um filme formador para toda a minha geração”, explica, destacando sobretudo a palavra “resistência”, que possui “um sentido muito concreto, histórico, em relação aos anos 50”, mas também pode abrir “uma imaginação para o presente”.
Já o Brasil não aparece apenas na ficha técnica: “Não sou tão essencialista com questões de pátria. Somos latino-americanos. Estamos bastante ligados nesta parte do mundo. Acho que é um filme do Sul e pronto”, define Naishtat, que ganhou notoriedade nos últimos anos com Rojo (2018) e Puan (2023), sempre em conexão com talentos brasileiros.
O Festival do Rio encerra as suas atividades a partir das 22h deste domingo, ao anunciar os prémios.

