El Deshielo: Manuela Martelli regressa aos anos 1990 no Festival do Rio

O segundo filme da realizadora chilena, apresentado na secção Un Certain Regard de Cannes, passa agora pelo 28.º Festival do Rio.

Escolhido pelo Chile para representar o país na corrida ao Óscar de Melhor Filme Internacional, El Deshielo, de Manuela Martelli, chega ao 28.º Festival do Rio depois de uma passagem pela secção Un Certain Regard do Festival de Cannes. O filme é exibido esta terça-feira, às 18h30, no Cinesystem Belas Artes, com uma segunda sessão marcada para quinta-feira, às 16h45, no Estação NET Gávea.

Segunda longa-metragem de Martelli na realização, depois de Chile ’76 (2022), El Deshielo recua até 1992, num Chile ainda marcado pela ditadura de Augusto Pinochet. A história acompanha uma rapariga que, durante uma estadia num hotel de luxo, cria uma amizade com uma atleta europeia. Quando a estrangeira desaparece e é dada como morta, o mistério abre caminho para um olhar sobre um país que tentava reconstruir-se enquanto entrava numa nova ordem económica.

O filme parte de memórias de infância da própria realizadora e usa o desaparecimento como motor de uma narrativa de suspense atravessada pela transformação política e económica do Chile no início da década de 1990. “Os anos 1990 foram um bloco da nossa História em derretimento, por simbolizar o fim dos regimes militares e um início ainda tímido das nossas democracias”, explica Martelli. “Os ecos desse momento fazem-se ouvir no Chile até hoje.”

A realizadora olha também para essa década como um período em que o país deixava para trás a ditadura ao mesmo tempo que acelerava a entrada numa economia de mercado. A abertura do filme incorpora imagens documentais, incluindo registos do antigo presidente brasileiro Fernando Collor de Mello, aproximando o caso chileno de outras experiências políticas latino-americanas.

Martelli iniciou o seu percurso como atriz e passou progressivamente para trás das câmaras. Em 2025, foi distinguida no Festival de Locarno pela sua interpretação em God Will Not Help (2025). A sua primeira longa-metragem como realizadora, Chile ’76 (2022), passou pela Quinzena dos Realizadores de Cannes.

O 28.º Festival do Rio decorre até 11 de outubro.

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