Incitada por Robert Redford, Juliette Binoche estreia-se na realização com “In-I in Motion”

(Fotos: Divulgação)

A atriz francesa Juliette Binoche apresentou hoje, 20 de setembro, no Festival de San Sebastián, fora de competição, o seu primeiro filme como realizadora.

Com o título In-I in Motion, o projeto revisita o processo de criação do espetáculo teatral In-I (2007), encenado por Binoche e o dançarino e coreógrafo britânico Akram Khan, que combinava interpretação e dança.

A atriz de A Insustentável Leveza do Ser (1988), O Paciente Inglês (1996) e Chocolate (2000), presença frequente em San Sebastián, surpreendeu os jornalistas ao afirmar que um dos grandes incentivos para a concretização do documentário foram as palavras dirigidas a ela por Robert Redford após uma atuação.

“Em Nova Iorque, no final da digressão, o Robert Redford veio ao meu camarim e disse-me: ‘Tens de fazer um filme disto.’ Repetiu isso várias vezes, com paixão. Fiquei surpresa, mas disse que sim”, explicou Binoche, acrescentando que não sabia bem por onde começar o projeto. “Não sabia como avançar. A minha irmã tinha filmado os ensaios e guardei essas cassetes durante 15 anos. Dois produtores apareceram, perguntei ao meu irmão se queria acompanhar-me, e assim nasceu…”

O documentário mostra os altos e baixos da criação teatral, mas Binoche garante que nunca pensou desistir. “As dificuldades fazem parte da transformação. Sem obstáculos, não crescemos. Mesmo quando não encontrávamos soluções, sentia que o importante era enfrentar a visão do outro. Eu levava o Akram para zonas emocionais difíceis, ele empurrava-me fisicamente para além dos meus limites (…) Foi muito generoso. Teve de abrandar para me acompanhar. Eu, vinda da representação, tive de ganhar resistência com treino diário. Magoei-me, parti dedos, recorri até ao qigong para proteger o corpo. Mas no fim, já nada me metia medo.”

Já quanto ao que significou passar agora para trás das câmaras, Binoche descreveu a experiência “como entrar num conto de fadas”. “De repente, duas pessoas perguntam-me se tenho um projeto, a minha irmã cedeu-me as imagens, e eu mergulhei na montagem. Descobri a exigência da realização, horas intermináveis na sala de edição, mas também a alegria de construir algo coletivo (…) Não sou só atriz nem só realizadora, sou um ser humano. A vida é feita para experimentar possibilidades. Criar é resistir.”

Binoche, que em 2025 foi presidente do Festival de Cannes, comentou ainda a situação mundial, em particular a de Gaza, mas rejeitou boicotes culturais: “Não acredito que a política vá salvar-nos. Vejo muito egoísmo económico. Acredito mais na arte como meio de comunicação e união espiritual. O meu filme é sobre isso: encontrar uma linguagem comum entre mundos diferentes. A cultura pode abrir pontes onde a política levanta muros.”

O Festival de San Sebastián prolonga-se até dia 27 de setembro.

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