É Tudo Verdade 2021 anima o cinema brasileiro via web com injeção de realidade

(Fotos: Divulgação)

Laureado em Sundance, a animação “Fuga” (“Flee”), assinada por Jonas Poher Rasmussen, com foco na luta de um intelectual afegão com os segredos dos seu passado, será o filme de abertura da 26ª edição do É Tudo Verdade, a ser realizado de 8 a 18 de abril.

Para o encerramento, a maratona documental pilotada pelo crítico e curador Amir Labaki escolheu um estudo sobre os povos originários que representou o Brasil na Berlinale, no início deste mês: “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, que coescreveu o roteiro com o xamã Davi Kopenawa. Labaki convocou algumas das mais inquietas vozes da não ficção no seu país para concorrer, marcando a volta de Anna Muylaert (de “Que Horas Ela Volta?”) aos ecrãs, depois de um hiato de cinco anos.

Em eventos paralelos, o ETV vai celebrar, num requiem, o centenário de Chris Marker (1921-2012), realizador de “Sem Sol” (1983), e fazer uma mostra dos documentários de Ruy Guerra, como “Os Comprometidos – Actas de um processo de descolonização” (1984) e “Mueda: Memória e Massacre” (1979/80). Haverá ainda a seção Caetano .Doc, que reúne filmes ligados pelo lirismo do cantor Caetano Veloso.

Nós todos temos saudades do É Tudo Verdade presencial, mas é uma lição importante do festival digital na pandemia é preservar esse carácter híbrido de manter o que acontece em salas também no ambiente online”, disse Labaki na conferência de imprensa do evento, que ocorre no seu site, envolvendo ainda as plataformas Looke e SPCine Play.

Acerca do filme de abertura, Labaki destacou a singularidade de “Fuga” (“Flee”) ao debater “uma realidade complicada que é fugir da tirania para encontrar a felicidade”. “Uma das coisas mais interessantes no cinema contemporâneo é a porosidade entre os géneros e a utilização da animação no documentário tem essa marca. No caso do ‘Flee’, havia uma resistência do protagonista em mostrar a própria cara. E a animação foi uma saída para que o realizador pudesse contar a história dele”, disse Labaki ao C7nema. “Colocar um documentário animado na abertura sinaliza a amplitude do campo documental, num momento em que conseguimos romper estigmas”.


Eis os títulos em concurso no É Tudo Verdade:

COMPETIÇÃO BRASILEIRA:
Longas e médias-metragens:
“Alvorada”, de Anna Muylaert e Lô Politi
“Os Arrependidos”, de Armando Antenore e Ricardo Calil
“Dois Tempos”, de Pablo Francischelli
“Edna”, de Eryk Rocha.
“Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina”, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro
“Paulo César Pinheiro – Letra e Alma”, de Cleisson Vidal e Andrea Prates
“Zimbra”, de Joel Pizzini


Curtas- metragens:
“Cartas de Brasília”, de Larissa Leite
“Coleção Preciosa”, de Rayssa Fernandes Coelho e Filipe Gama
“João por Inez”, de Bebeto Abrantes
“O Karaokê de Isadora”, de Thiago B. Mendonça
“Review”, de Tyrell Spencer
“Sem Título #7 Rara”, de Carlos Adriano
“Ser Feliz no Vão”, de Lucas H. Rossi dos Santos
“A Vida que eu Sonhava Ter”, de Eliane Scardovelli Pereira
“Yãokwa: Imagem e Memória”, de Vincent Carelli, Rita Carelli

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL:
Longas e médias-metragens:

“9 Dias em Raqqa” (9 Jours A Raqqa/ 9 Days in Raqqa), de Xavier de Lauzanne
“Eu e o Líder da Seita” (Aganai/ Me and the Cult Leader – A Modern Report on the Banality of Evil), de Atsushi Sakahara
“Glória à Rainha” (Glory to the Queen), de Tatia Skhirtladze
“Gorbachev.Céu” (Gorbachev.Heaven), de Vitaly Mansky
“História de um Olhar” (Histoire d’un Regard/ Looking for Gilles Caron), de Mariana Otero
“Leonie, Atriz e Espiã” (Leonie, Actrice en Spionne/ Leonie, Actress and Spy), de Annette Apon
“Mil Cortes” (A Thousand Cuts), de Ramona S. Diaz
“MLK/FBI” (MLK/FBI), de Sam Pollard
“Paraíso” (Paradise), de Sérgio Tréfaut
“Presidente” (President), de Camilla Nielsson
“Sob Total Controle” (Totally Under Control), de Alex Gibney, Ophelia Harutyunyan e Suzanne Hillinger
“Vicenta” (Vicenta), de Dario Doria


Curtas- metragens:
“Uma Cidade e uma Mulher” (Une Ville Et Une Femme/ A City and a Woman), de Nicolas Khoury
“E14 (E14)”, de Peiman Zekavat
“A Montanha Lembra?” (Puede Una Montaña Recordar/ Can a mountain recall?), de Delfina Carlota Vazquez
“Um Pai que Você Nunca Teve” (Dad You’ve Never Had), de Dominika Lapka
“Num Piscar de Olhos” (In the Blink of an Eye/ In Ictu Oculi), de Jorge Moneo Quintana
“Projetando a Utopia” (Tracing Utopia), de Catarina de Sousa & Nick Tyson
“Quando o Mar Manda uma Floresta” (当海里长出森林 / When the Sea Sends Forth a Forest), de Guangli Liu
“Sequência de Lacunas sem Nome” (Untitled Sequence of Gaps), de Vika Kirchenbauer
“Terapia Deepfake” (Deepfake Therapy), de Roshan Nejal

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