Com um pacote de 148 filmes, o Curta Cinema, uma das maiores exposições da América Latina na exibição de pequenas grandes jóias audiovisuais, celebra os seus 30 anos numa edição especial, online, que vai até o dia 24, sob a batuta do seu organizador, Ailton Franco. O menu pode ser visto em https://curtacinema.com.br, onde encontram-se pérolas assinadas por Anna Azevedo (“Dreznica”). Alberto Alvares (“Ywy Nhe’Em Porã”), Laís Bodanzky (“Cartão Vermelho”), Gregory Baltz “(Ouro Para O Bem Do Brasil”), Claudia Priscilla (“Vestido De Laerte”) e mais uma leva de cineastas. Sintonize-se no evento, porque, este sábado, serão exibidos dois nomeados aos Oscars 2021: “The Present” e “White Eye” serão exibidos dia 20, às 18h (22h em Portugal), a partir da plataforma Festhome TV, onde ficarão disponíveis durante 24 horas. Na conversa a seguir, Franco fala ao C7nema sobre o passado, futuro e os presentes que a maratona legou à indústria cinematográfica do seu continente.
Como avalia, diante da seleção deste ano, a produção de curtas-metragens no Brasil e de que maneira os novos canais de exibição, via streaming, podem aproveitar o formato?
A seleção desta edição especial de 30 anos foi basicamente formada por filmes inscritos para a 30ª edição, que aconteceu em novembro último. Esta edição especial é uma segunda parte da 30ª, agora com o panorama carioca, latino, programas especiais e atividades variadas. A seleção sempre pautou-se em apresentar a pluralidade de produção e temática do formato curta-metragem. E nesta edição online, o que mais ganhamos foi um alcance nacional. Antes éramos focados no público do Rio de Janeiro. Agora, todo o território brasileiro poderá ter acesso a esta programação especial.
Que percurso o festival fez nestes 30 anos e que recordações mais emocionantes você guarda dele?
Recordações temos muitas, pois são 30 anos. Mas a maior de todas é constatar que grande parte dos realizadores de sucesso no cinema, no audiovisual, passaram pelo festival, além, é claro, de diretores famosos na História Brasileira: Carlos Reichenbach, Eduardo Coutinho, Ruy Guerra, Sergio Rezende, Karin Ainouz, Marcelo Gomes, Tata Amaral, Jorge Furtado, Kléber Mendonça Filho, Fernando Meirelles, Anna Muylaert, Lais Bodanzky. E, além disso, emociona saber que jovens profissionais tiveram suas primeiras possibilidades no Curta Cinema, seja como público, seja na equipe do festival.
Como começou a sua história com as curtas? O que encontrou de mais arrebatador no formato?
O festival foi criado quando estava a terminar o curso de cinema na Universidade Federal Fluminense, a UFF, e me vi diante dos obstáculos que se apresentavam com o fim da Embrafilme (empresa que fomentava a produção brasileira de cinema de 1970 a 1990). Já produzia curtas e tinha decidido que o que queria era trabalhar com cinema e cultura. A partir daí foram anos de luta, resistência e crescimento.
Quais são os seus projetos pessoais como produtor para os próximos meses?
Estou finalizando um documentário sobre o (ator) Grande Otelo, com direção do Lucas H. Rossi, e coprodução Globo Filmes, Canal Brasil, FSA. Estou no desenvolvimento de dois projetos de longa-metragem, e quatro séries para plataformas de streaming. E, é claro, estarei a começar em breve a preparação da 31ª edição do Festival Curta Cinema. Como no primeiro ano do festival, que foi de 17 a 22 de março de 1991, e a segunda edição de 20 a 30 de outubro de 1991, queremos que neste ano de 2021 possamos refazer esta façanha.

