O Ministério Público arquivou «por falta de provas» o inquérito à Cooperativa Cinema Novo, a qual organiza o Fantasporto e cujos dirigentes foram em 2013 acusados de várias ilegalidades no festival.
Recorde-se que o caso foi exposto num artigo publicado na revista Visão, em que era detalhado que o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) recebera uma denúncia anónima que reportava ilegalidades na organização do Festival de Cinema Fantasporto. Em causa estaria a atribuição de bilhetes a custo zero durante o certame, que assim supostamente inflacionam o número real de visitantes do festival [com implicações posteriores na atribuição de subsídios]. A fuga ao pagamento do IVA na venda de DVDs e livros pela equipa do Fantasporto era outra das ilegalidades apontadas, bem como algumas acusações orientadas a Mário Dorminsky, fundador e diretor do festival nortenho, e a Beatriz Pacheco Pereira, igualmente ligada ao Festival.
Entre essas acusações estaria a apropriação ilícita de fundos destinados à Cooperativa Cinema Novo, nomeadamente no que toca a um cruzeiro no Mediterrâneo e na Terra Santa, «sem aparente ligação ao festival de cinema», e a presença nas faturas da cooperativa de duas agências de detetives. A denúncia referia ainda a duplicação de faturas enviadas para os organismos públicos que apoiam o festival e até contas bancárias paralelas, para além de existir alguma confusão naquilo que pertenceria ao Cinema Novo e ao próprio Mário Dorminsky.
«Para o público isto é um assunto morto. É a altura de dizer que foi tudo uma invenção», realçou Beatriz Pacheco Pereira à agência Lusa, afirmando ainda que todo este caso foi uma «campanha negra» contra os fundadores do Fantasporto. «Este arquivamento veio confirmar a justeza» dos protestos feitos pela Cooperativa através de comunicados frequentes que rebatiam as acusações e protegiam a imagem do certame.
Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky disseram ainda à Lusa que já estão a preparar o 36.º Fantasporto, que até ao momento recebeu cerca de 600 inscrições de filmes.

