
Começa esta sexta-feira a mais recente edição do evento, que decorre até dia 16, e cuja programação inclui, como de costume, uma enorme multiplicidade de acontecimentos. A maioria deles ocorre nos cinemas Medeia Monumental e Nimas, em Lisboa, e no Centro de Congressos do Estoril.
Para além da parte cinematográfica, que traz antestreias, filmes vindos dos mais importantes festivais de cinema do mundo e retrospetivas, o LEFF apresenta exposições, peças de teatro e sessões de leitura. Um dos mais importantes destes eventos é o ambicioso painel que investiga o sinistro papel dos medias contemporâneos no controlo da sociedade – Ficção e Realidade – Para Além do Big Brother.
Os atores John Malkovich e Maria de Medeiros, presenças confirmadas, serão homenageados. Dos convidados internacionais, destaque para a vinda de Edgar Morin para o Simpósio e de Noam Chomsky para apresentação de TPB AFK: The Pirate Bay Away from Keyboard de Simon Klose – obra sobre os fundadores de um dos mais famosos sites de pirataria da internet.
Os filmes

Pelas antestreias passa muito do que houve de mais mediático no universo dos festivais de cinema e do meio alternativo em geral. A abertura cabe a Winter’s Sleep (foto acima), vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, e a Yves Saint Laurent (foto abaixo), uma original biopic de Bertrand Bonello (de Apollonide, Memórias de um Bordel), enquanto um dos filmes de encerramento será o mais novo trabalho do menino-prodígio Xavier Dolan, Mommy.
O Festival de Cannes, aliás, encontra-se em força. Surgem as obras premiadas no quesito melhor atriz (Julianne Moore em Maps to the Stars), melhor ator (Timothy Spall em Mr. Turner), mais o vencedor do prémio do Júri (o citado Mommy) e o Grande Prémio (As Maravilhas, de Alice Rohrwacher). Além destas, surge a obra que conquistou o Urso de Ouro em Berlim (Carvão Negro, Gelo Fino, de Yinan Diao) e o Leão de Prata em Veneza (para Andrei Konchalovsky, que de The Postman’s White Nights). Destaque ainda para o novo filme dos irmãos Dardenne, Dois Dias e uma Noite, o mais recente de Christian Petzold, Phoenix, e dois trabalhos a envolver música – um de David Lynch, Duran Duran Unstaged, e o elogiado Nick Cave – 20.000 Dias na Terra (de Iain Forsyth e Jane Polland).

Se as antestreias trazem em primeira mão obras cujos lançamentos estão previstos para o mercado português, é nos filmes em competição, nas retrospetivas e nos diversos eventos paralelos que o espectador lisboeta tem acesso a projetos que dificilmente poderá ver de outra forma. É o caso dos trabalhos de Cosima Spender, Philippe Parreno, Christian Boltanski, Jean-Michel Alberola e Nan Goldin. No caso desta última, ela contribuiu para uma seleção que leva o seu nome e inclui uma singularíssima lista de filmes com muitas raridades – como as obras de Vivienne Dick.
Também as retrospetivas são excelentes oportunidades para os espectadores em busca de novidades descobrirem cineastas muito pouco conhecidos – como o russo Marlen Khutsiev e o espanhol Gonzalo García Pelayo. Já o tunisino Tariq Teguia teve o seu Inland premiado em Veneza em 2008 enquanto o brasileiro Kléber Mendonça Filho correu mundo com O Som ao Redor. Os mais conhecidos são Phillipe Garrel e o polaco Andrzej Zulawski. Todos terão exibidas as suas filmografias completas.
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