José Pedro Lopes sobrevive a “Sexykiller, Morrirás por Ella”

(Fotos: Divulgação)

As sessões do Fantasporto andam a tornar-se cada vez perigosas! Depois dos eventos da sessão maldita de ‘Nekormantik’, agora um novo incidente. Na passada segunda-feira, na estreia de ‘Sexykiller, Morrirás por Ella’, a actriz Marcarena Gomez apontou uma arma ao vosso fiel representante do C7nema, após ter baleado o realizador Miguel Martí. Pois, o Fantas tem destas coisas, especialmente em noite de Carnaval!

‘Sexykiller’ conta a história de Bárbara, uma estudante de medicina obcecada pela Barbie (sim, a boneca), por ser chique e pela perfeição. No culminar das suas obsessões, um ‘hobby’: matar tudo e todas e “acabar com o machismo nos serial killers”.

No campus da unversidade, Bárbara vai despachando, um a um, todos os que, de uma forma ou doutra, a provocam. Desde dizerem que Ken (sim, o namorado da boneca Barbie) é ‘gay’, até serem monótonos no acto sexual, tudo é um bom pretexto para Bárbara fazer uso da sua técnica homicida.
Perante uma polícia ridiculamente ineficaz, os cadáveres vão se acumulando. Jaime, um jovem tímido e apaixonado por Bárbara, faz uma descoberta científica fantástica, com a qual pensa conseguir ajudar a polícia a resolver o mistério: uma máquina que consegue projectar os últimos pensamentos dos mortos… para uma televisão!

O cinema espanhol não deixa de mostrar sinais de força no Fantasporto. Ano após ano, o Fantas recebe filmes como, os vencedores do grande prémio, ‘REC’ e ‘Intacto’, ou os aclamados pelo público ‘Tuno Negro’, ‘Dagon’ ou ‘El Otro Lado de La Cama’. Não espanta que a sala tenha enchido numa noite tão “pouco cinematográfica” para ver esta nova provação de “nuestros hermanos”.

‘Sexykiller’ é um todo-terreno do cinema de terror comercial e faz passar vergonha muitos (aliás, quase todos) os seus semelhantes de ‘Hollywood’. Rápido, divertido e cheio de imaginação, o filme não receia o absurdo mas nunca se torna desinteressante. É, aliás, um filme com bastantes surpresas, especialmente nos seus 20 minutos finais onde o filme muda de registo e temática de uma maneira hilariante, que foi aplaudida pelo público do Fantas.

Marcarena Gomez está espectacular como uma versão feminina e chique do Patrick Bateman de ‘American Psycho’. A actriz, que já tinha conquistado o festival com ‘Dagon’, cria aqui uma vilã memorável.

Uma nota especial para os efeitos ‘gore’ do filme, bastante criativos, e as suas infinitas referências ao terror contemporâneo. Desde um cão chamado Jason (Vorhees) até a uma recriação fantástica do telefonema fatal de ‘Scream’ (“Como se chamava o assassino de ‘Silence of the Lambs’”?).

Brilhante!

Em noite de Carnaval, Marcarena Gomez e Miguel Marti estiveram presentes no Rivoli para apresentar o seu filme, que descreveram como “um filme de terror para as pessoas se divertirem”. Ambos mascarados (ela de zombie, ele de monstro), iniciaram uma discussão em palco que terminou com Marcarena a balear Miguel, numa risota pegada com o público.

Por azar, o representante do C7nema estava sentado na primeira fila com uma máscara do Jason Vorhees (assassino do ‘Friday the 13th’ e nome do cão de ‘Sexykiller’), chamando a atenção de Marcarena. Ela deslocou-se ao público e, sob aplausos, apontou a arma ao vosso fiel correspondente que, ao contrário de 99% das personagens de ‘Sexykiller’, acabou por ser poupado. Ufa!

9/10

José Pedro Lopes

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