Brillante Mendoza choca audiências

(Fotos: Divulgação)

Um grupo de homens, entre eles um polícia, rapta uma prostituta que tem uma dívida pendente e leva-a para uma casa abandonada. Aí ela é torturada, violada e esquartejada com uma faca e um machado. Tudo visto em tempo real, tudo visto no maior detalhe.

Esta é a cena que mais chocou as audiências em Cannes e faz parte do novo filme de Brillante Mendoza, intitulado “Kinatay”.

O filme acompanha um jovem aprendiz da academia da polícia que, para conseguir dinheiro para sustentar a família, acaba por acompanhar um amigo, integrante de um gang, numa trágica aventura.

Entre vaias e aplausos – tal como acontecera no ano transacto com o seu “Serbis” (presente este ano no IndieLisboa) – o filme perfila-se como um verdadeiro outsider, longe da unanimidade e dos mais mal colocados para ganhar o certame.

O certo é que, o cineasta está habituado a lidar com a provocação das suas obras. “Estes casos são constantes nas Filipinas e as pessoas habituaram-se a ler sobre estas mortes, sem dar conta do seu horror”, afirmou, acrescentando que pretendia “mostrar a brutalidade na forma mais crua possível e assim tirar a banalidade desse actos que o jornais trazem com frequência”.

E para mostrar que a violência não é um fait divers, Mendonza recorre aos “detalhes e o uso do tempo real, que permite ao espectador acompanhar como se estivesse fazendo parte do processo”.

 
Jorge Pereira

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