“The Cats of Gokogu Shrine” triunfa no Festival Internacional de Cinema Laceno d’Oro

(Fotos: Divulgação)

O filme “The Cats of Gokogu Shrine“, de Kazuhiro Soda, que venceu o prémio “Laceno d’Oro 49”, atribuído pelo júri composto pelos realizadores Massimo D’Anolfi e Antonio Piazza, e pelo produtor e distribuidor Gaël Teicher.

Por vezes um sussurro pode ser ouvido mais alto do que um grito e obriga-nos a esticar o ouvido para ouvir melhor. Se o cinema consiste em dar forma a sentimentos e estados de espírito – amor, medo, alegria, dor, cansaço – então a forma deste filme é o sussurro. Talvez um homem com uma câmara, alguns gatos selvagens, uma escada e uma tempestade sejam suficientes para confrontar as questões mais universais e, no entanto, quotidianas. E é precisamente porque o filme nunca pretende responder a estas questões que se torna um companheiro de presença discreta, à medida que o tempo passa e o que o tempo da vida transporta“, disse o júri sobre o filme de Kazuhiro Sôda, um trabalho doce e curioso que parte do Santuário Gokogu, no topo de uma grande colina com vista para o porto, onde dezenas de gatos habitam, para fazer uma análise sociológica e política de um espaço com 8.000 moradores humanos que viu a presença felina transformar o local e as pessoas.

O filme português “A Savana e a Montana“, de Paulo Carneiro, que recria em forma de western a luta da população de Covas do Barroso, no distrito de Vila Real, contra a empresa britânica Savannah Resources, que planeava construir uma das maiores minas de lítio a céu aberto da Europa junto às suas casas. “Um filme militante, uma espécie de western comunitário e rebelde”, lê-se na motivação do júri para a menção.

O Prémio de Melhor Filme na secção “Olhares sobre a Cidade” foi atribuído a “Quando em Terra Foge“, do português Frederico Lobo, “pela sua capacidade de exprimir, através de uma linguagem cinematográfica de extraordinária intensidade, a essência do local onde foi realizado, mas sobretudo a relação entre o ser humano e a natureza“. Nesta secção, houve ainda espaço para uma menção especial a “Street Light“, de Romain Dumont, “pela utilização refinada do dispositivo entre o documentário e a ficção, que acompanha a história com uma direção impecável e uma visão fresca e original“.

Noutras distinções, “Si dice di me“, de Isabella Mari, venceu o Prémio Laceno d’Oro Spazio Campania “Chiara Rigione”, cabendo a menção especial do júri a “Ciao Bambino“, de Edgardo Pistone; “Cianuro“, de Eleonora Mastropietro, conquistou oPrémio Red Couch para a distribuição; e “3MWh“, de Marie-Magdalena Kochová, conquistou o prémio Supercinema de reconhecimento da excelência no domínio do Design para Cinema.

Nas escolhas populares, “We Are Inside“, de Farah Kassem, ganhou o Prémio do Público “Franca Troisi”, havendo uma menção especial para “Rising up at Night“, de Nelson Makengo. Na “Spazio Campania”, “Oltre Ischia“, de Luca Ciriello, ganhou o Prémio do Público, com uma menção especial para “La Notte è un Giorno Dispari“, de Vincenzo Giordano.

Fundado por Pier Paolo Pasolini em 1959, com os intelectuais irpinianos Camillo Marino e Giacomo D’Onofrio, o Festival Internacional de Cinema Laceno d’Oro incluirá projeções, conversas com cineastas, concertos, exposições, masterclasses e workshops. Entre os nomes de destaque deste ano contou-se a presença de Arnaud Desplechin, homenageado com um prémio de carreira e uma retrospetiva dedicada, e Valerio Mastandrea, celebrado com uma homenagem especial durante o fim de semana de encerramento.

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