“Malu” e “Baby” vencem o Festival do Rio

(Fotos: Divulgação)

Criado em 1999, época na qual a produção audiovisual brasileira passava por uma reconstrução, após um hiato de quase cinco anos sem produção, o Festival do Rio encerrou no domingo a sua edição número 26, depois de dez dias de projeções, com quase 80 mil espectadoras/es, com a entrega do troféu Redentor de Melhor Filme a duas produções, em vitória ex aequo: “Malu”, de Pedro Freire, e “Baby”, de Marcelo Caetano.

Malu

O primeiro fez sua estreia mundial em Sundance, em janeiro, e o segundo estreou em maio, em Cannes. A última vez que o evento terminou com empate foi em 2013, quando coroou “De Menor” e “Lobo Atrás da Porta”.

Malu” tem o seu título emprestado de uma atriz de passado glorioso, que se vê presa em um caos sentimental. A relação nada leve com a mãe conservadora e a filha adulta torna a sua crise ainda mais aguda. Foi dado à longa-metragem ainda os troféus de melhor atriz (Yara de Novaes); melhor atriz secundáriapt/coadjuvantebr (para Carol Duarte e Juliana Carneiro da Cunha); e melhor argumento, assinado pelo realizador, Pedro Freire.

Já “Baby” fala sobre um jovem recém-saído de um reformatório, que aprende novas formas de (sobre)viver numa São Paulo hostil. A produção recebeu ainda a láurea de direção de arte (assinada por Thales Junqueira) e a de melhor ator, dada a João Pedro Mariano.

Jamilli Correa em “Manas

O júri do Festival do Rio foi presidido pela atriz argentina Mercedes Morán, que concedeu seu prémio especial à jovem atriz Jamilli Correa, por “Manas”. Mercedes e a sua equipa atribuíram a distinção de Melhor Realização a Luciano Vidigal por “Kasa Branca”.
As longas-metragens documentais têm um par de prémios à parte no palmarés carioca. O melhor filme de não ficção foi para “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado. A narrativa relembra a amizade entre o compositor Dorival Caymmi, o best-seller Jorge Amado e o artista plástico Caribé, uma trinca de orixás da Bahia.

O prémio de melhor realização de narrativas documentais foi confiado a Gabriela Carneiro da Cunha e Eryk Rocha por “A Queda do Céu”, lançado antes na Quinzena de Cineastas de Cannes. “Viva um cinema que sonha longe“, comemorou Eryk no palco.

Construída nos moldes da mostra Un Certain Regard de Cannes, de olho em propostas de linguagem transgressoras, a seção Novos Rumos consagrou uma belíssima trama de origem cearense sobre música: “Centro Ilusão”, de Pedro Diógenes.

Nesta segunda-feira, salas do Grupo Estação em Botafogo e na Gávea iniciam a Repescagem, uma mostra extra que dá hipótese à população local de ver alguns dos hits da programação integral, exibida de 3 a 13 deste mês. A sugestão é “Empire”, comédia sci-fi que valeu o Prémio do Júri ao gaulês Bruno Dumont na Berlinale: é exibido no Gávea 2. Lá mesmo, passa o documentário “Misty – A História de Erroll Garner”, de Georges Gachot, sobre um mito do jazz. No Estação NET Riosão exibidos dois documentários do chinês Wang Bing feitos para a sua trilogia “Juventude”: “Tempos Difíceis” e “De Volta Ao Lar”. Na quarta-feira, há um título imperdível: o terror “Heretic”, com Hugh Grant, no Estação NET Gávea 5.

A premiação:

Filme: “Baby”, de Marcelo Caetano, e a “Malu”, de Pedro Freire

Documentário: “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado

Curta: “A Menina e o Pote”, de Valentina Homem

Prémio Especial do Júri: Jamilli Correa, por “Manas”

Realização: Luciano Vidigal (por “Kasa Branca”)

Realização de documentários: Gabriela Carneiro da Cunha e Eryk Rocha (por “A Queda do Céu”)

Atriz: Yara de Novaes (por “Malu”) com menção honrosa para Diana Mattos, por “Betânia”)

Ator: João Pedro Mariano (por “Baby”)

Atriz secundáriapt/coadjuvantebr: Juliana Carneiro da Cunha e Carol Duarte (ex aequo por “Malu”)

Ator secundáriopt/coadjuvantebr: Diego Francisco (por “Kasa Branca”)

Roteiro: Pedro Freira (por “Malu”)

Fotografia: Arthur Sherman (por “Kasa Branca”)

Montagem: Peterkino (por “Salão de Baile”)

Som: Marcos Lopes, Guile Martins e Toco Cerqueira (por “A Queda do Céu”)

Banda Sonora Original: Fernando Aranha e Guga Bruno (por “Kasa Branca” e “Quando Vira a Esquina”)

Direção de Arte: Thales Junqueira (por “Baby”)

Novos Rumos: “Centro Ilusão”, de Pedro Diógenes

Prémio Félix (láurea queer): “Tudo Vai Ficar Bem”, de Ray Yeung (Internacional) e “Avenida Beira-Mar”, de Maju de Paiva e Bernardo Florim (brasileiro)

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