Cinco dias depois do anúncio das atrações de Cannes, outro festival respeitado peloculto à autoralidade no cinema revela o seu cardápio de curtas e longas-metragens para 2022: Tribeca, a tradicional maratona audiovisual de Nova York, fundada por Robert De Niro após o 11 de setembro. Quem vai inaugurar a festa cinéfila nova-iorquina, agendada este ano de 8 a 19 de junho, é a realizadora Amanda Micheli, com o documentário “Halftime”, sobre a rotina de criação artística da cantora e atriz Jennifer Lopez.
Essa escolha estreita laços entre o evento e a Netflix – que lança a longa-metragem no dia 14 de junho , sendo que, tradicionalmente, a principal fonte do festival era a HBO, na sua versão TV a cabo, pré HBO Max. Logo na sequência, o público que vem prestigiando o certame há 20 anos vão ver o aguardado “The Forgiven”, com Jessica Chastain e Ralph Fiennes vivendo um casal em crise, acossado por um assassinato, sob a direção de John Michael McDonagh (“The Guard”).
Na seleção atual, a aposta mais quente é a estreia de Ray Romano como realizador: “Somewhere in Queens”. Laurie Metcalf, Tony Lo Bianco, Sebastian Maniscalco, Jennifer Esposito e o próprio Romano estrelam essa trama sobre um ítalo-americano que aposta numa carreira de sucesso para o filho nas quadras de basquetebol. Igualmente badalado tem sido a estreia de “Corner Office”, um estudo marxista de Joachim Back sobre o mundo do trabalho com Jon Hamm na pele de um empregado dedicado que irrita os seus parceiros.
Na disputa pelos prêmios das longas-metragens de ficção, “The Integrity of Joseph Chambers”, de Robert Machoia, chama a atenção pelo seu olhar sobre a violência inerente ao espírito humano, ao falar de um vendedor que decide aproveitar uma estadia no campo para caçar, enfrentando o pior de si. Mas o enredo que mais tem intrigado Tribeca pertence a “Next Exit”, de Mali Elfman. É uma história sobre um projeto científico que convida pessoas desesperadas a cometerem suicídio assistido para que elas, após a morte, possam emitir sentimentos lá do Além para o mundo dos vivos. Um casal de potenciais suicidas vai se envolver afetivamente em meio ao processo.
Nas seleções paralelas de Tribeca, há uma promessa de sucesso comercial a caminho: “Jerry & Marge Go Large”, uma comédia de David Frankel que oferece protagonismo a Bryan Cranston (o eterno Walter White de “Breaking Bad”) e Annette Bening. Eles vivem um casal reformado que decide enganar a lotaria.
Entre os documentários, uma das principais atrações é “It Ain’t Over”, de Sean Mullin, sobre o jogador de beisebol Yogi Berra e a sua personalidade polémica. Uma atração documental em competição que promete fazer barulho em Tribeca é “Body Parts”, de Kristy Guevara-Flanagan, que revisita a maneira como as mulheres foram filmadas em filmes de culto do cinema.
Recheada de títulos provocantes, a competição das longas-metragens estrangeiras de Tribeca joga os holofotes sobre a Bolívia, com “El Visitante”, de Martín Boulocq. Nele, um ex-presidiário tem que encarar o fervor religioso de uma comunidade evangélica para se reinventar e reaver a guarda da filha. Da Dinamarca, vem “A Matter Of Trust”, drama em segmentos rodado por Anette K. Olesen de (“Borgen”). É um filme coral com cinco núcleos dramáticos que colidem, sendo Trine Dyrholm (de “Rainha de Copas”) a atriz mais conhecida. Aguarda-se uma dose farta de irreverência de “We Might As Well Be Dead”, produção teuto-romena com a realização da russa radicada na Alemanha Natalia Sinelnikova. É uma narrativa centrada numa série de excentricidades de um condomínio.
As tradicionais Tribeca Talks, a seção de palestras do festival, vão incluir este ano conversas com LeVar Burton e John McEnroe.

