Cartografia de uma obsessão, num universo onde a afirmação de um devir queer ainda esbarra na intolerância, “The Novice”, um esplendoroso estudo sobre os limites entre perseverança e loucura, ganha o prémio principal do Festival de Tribeca, coroando a força feminina na direção, com a vitória da cineasta Lauren Hadaway, num ano lotado de realizadoras à dianteira das longas-metragens de maior destaque.
O trabalho primoroso de Isabelle Fuhrman, estrela do filme de horror “A Órfã” (2009), foi reconhecido com uma láurea de melhor interpretação. E ainda foi concedido um prémio a mais para esta produção: o de melhor fotografia, dado a Todd Martin. Embora esse resultado tenha saído na noite de quinta, dando um tom de fim de festa ao evento nova-iorquino criado por Robert De Niro, através dos escombros morais do 11 de Setembro nos EUA, a maratona cinéfila “tribecana” prossegue até domingo, dando chance ao público local e ao internacional (visto haver uma série de projeções online) de testemunhar o quão possante é a atuação de Isabelle.
A sua personagem é Alex Dall, uma caloira na universidade que se junta à equipa de remo e empreende uma obsessiva cruzada desportiva, física e psicológica para chegar à vitória, afetando severamente as vidas afetivas ao seu redor.
Ao escolher o vencedor do prémio de melhor ator, o júri de longas-metragens americanas de ficção de Tribeca – formado por Ana Lily Amirpour, Derek Cianfrance, Bryan Cranston, OK e Erica Huggins – reconheceu o vigor de Matthew Leone em “God’s Waiting Room”, crónica de um áspero verão na Florida. Essa equipa de jurados laureou ainda o guião escrito por Hannah Marks para o filme “Mark, Mary, and Some Other People”.

Na seara dos documentários, com um júri à parte, venceu “Ascension”, de Jessica Kingdon, que fala sobre a realidade da China hoje.
Elogiado desde que Tribeca iniciou a sua programação deste ano, “Brighton 4th”, de Levan Koguashivili, foi “o” vitorioso na seara competitiva estrangeira, vencendo nas categorias: melhor filme, melhor ator (Levan Tediashvili) e guião. A longa-metragem é representante do novíssimo cinema da Geórgia. Um campeão de luta livre, hoje grisalho, tem de viajar até os Estados Unidos, para salvar o seu filho, que abriga georgianos ilegais e tem uma dívida com a máfia. O prémio de melhor atriz internacional ficou com Bassant Ahmed e Basmala Elghaiesh por “Souad”, do Egipto.
Filme mais badalado do festival, desde sua abertura, no dia 9, “Queen of Glory”, da atriz Nana Mensah, sobre as mudanças na vida de uma doutoranda do Bronx após a morte da sua mãe, nas tradições fúnebres de Gana, ganhou o prémio da New Narrative Director Competition. É uma seleção de estreantes.
Nesta sexta, Tribeca vai conhecer o espero “No Sudden Move” (“Nem Um Passo Em Falso”), de Steven Soderbergh, que será exibido num status informal de filme de encerramento e numa promessa (não oficial) de trazer a melhor atuação da carreira de Don Cheadle. É uma história sobre malandros, na Detroit dos anos 1950, depois que um ex-presidiário (Cheadle) é chamado para invadir uma casa, num golpe que afeta todos os envolvidos.

