“Vampire humaniste cherche suicidaire consentant” triunfa na Giornate degli Autori

(Fotos: Divulgação)

Vampire humaniste cherche suicidaire consentant” (Humanist Vampire Seeking Consenting Suicidal Person), primeira longa-metragem de Ariane Louis-Seize, foi o grande vencedor do Prémio de Realização da Giornate degli Autori, barra paralela ao Festival de Veneza.

O júri, composto por jovens cinéfilos europeus do programa 27 Times Cinema, presididos pelo realizador e argumentista João Pedro Rodrigues, decretou o vencedor do prémio num evento online, dando como a seguinte sustentação para a escolha: “Este filme merece ser celebrado pela forte visão da direção e estilo consistente nos seus diversos aspetos, como edição, fotografia, atuação e direção de arte. Aborda corajosamente temas cruciais como depressão, saúde mental, eutanásia e neurodiversidade. No entanto, consegue fazê-lo com uma sensação alegre, o que torna o filme radical e corajoso, tornando-o uma das suas peculiaridades mais fortes. A ideia que se destaca é a possibilidade de encontrar uma forma alternativa de funcionamento, numa sociedade normativa. Embora o filme tenha tom e estilo únicos, ele atinge com alegria um público mais amplo graças à sua ternura e envolvimento emocional.

Em “Vampire humaniste cherche suicidaire consentant”, uma comédia negra com alma coming-of-age, seguimos uma jovem vampira, Sasha, que desde pequena percebe que não é como a sua família: ela tem “um problema” de empatia que a torna demasiado sensível para sensível demais para matar, o que dificulta muito a sua “alimentação”.  Quando os pais exasperados deixam de a alimentar com as reservas de sangue que acumulam no frigorífico, a vida de Sasha corre perigo. Felizmente, ela conheceu Paul, um adolescente solitário com tendências suicidas que está disposto a dar a sua vida para salvar a dela. Mas o acordo amigável entre eles logo se torna numa busca alucinante para cumprir os últimos desejos de Paul….

Em todos os meus trabalhos falo da morte de diferentes maneiras. A morte de uma relação, a morte real de uma pessoa… creio que é uma luta minha contra a ideia de perder as pessoas que amo. Mas um vampiro permite realmente falar das lutas internas humanas. Eles têm de matar pessoas para viver, podem viver eternamente, o que traz questões de solidão e do relacionamento com as outras pessoas. Os vampiros são um ótimo espaço para falar de assuntos profundos da condição humana”, disse a cineasta ao C7nema em entrevista.

O filme canadiano sucede assim ao português “Lobo e Cão”, vencedor em 2022 desta distinção.

Noutras distinções da Giornate degli Autori, o público deu a vitória a “Quitter la nuit(Through the night), de Delphine Girard, , com “Los océanos son los verdaderos continentes“, de Tommaso Santambrogio, no segundo lugar e “Vampire humaniste cherche suicidaire consentant” no terceiro posto.

Já o prémio Europa Cinemas foi para “Photofobia” de Ivan Ostrochovský e Pavol Pekarčík.

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