Entrevista a Nuno Portugal (realizador da curta “O voo da Papoila”, vencedora do Shortcutz Porto de fevereiro)

(Fotos: Divulgação)

Uma simples fotografia e uma canção unem para sempre três personagens. O fotógrafo Sebastião, o soldado Joaquim e uma criança que se tornam, através de uma foto, ícones da esperança de abril – o que é feito dessa esperança 30 anos depois?

Tal como a curta-metragem “Deus Não Quis” de António Ferreira que foi inspirada na canção popular “Laurindinha”, “O Voo da Papoila”, nova curta-metragem da Persona NonGrata Pictures, inspira-se na popular canção “Somos Livres” de Ermelinda Duarte, que foi um dos simbolos da revolução de abril. O realizador desta viagem ao espírito de abril é Nuno Portugal, autor de curtas recentes como “Hepicat” e “À Flor da Pele”.

O c7nema falou com ele no rescaldo da vitória de “O voo da Papoila” no Shortcutz Porto, onde foi considerada a melhor curta de fevereiro. Entrevista por José Pedro Lopes.

De onde surgiu a ideia para a curta?

“O voo da Papoila” foi inspirado na música “Somos Livres” da Ermelinda Duarte, mas é a segunda curta metragem de um projeto que tem como objetivo incorporar ainda uma terceira curta de forma a completar uma trilogia. A primeira foi a curta do António Ferreira chamada “Deus não quis” e a terceira ainda está por desenvolver.

Com a atual conjuntura do país, duvido muito que seja para breve que essa produção possa avançar, mas há que ter esperança e não parar de trabalhar.

Parece-te que o 25 de abril e a Revolução são um tema ainda pouco explorado pelo cinema português?

Penso que já se explorou o suficiente, mas este filme apresenta um ponto de vista completamente diferente do habitual.

Não é propriamente um filme sobre o 25 de abril, é um filme que explora o tema da liberdade de escolhas, do estado do país e das desilusões que sentimos nos dias de hoje relativamente à revolução que se experienciou há mais de 30 anos em Portugal.

A curta tem sido muito bem recebida. Esperavas este sucesso?

Sinceramente tinha medo que as pessoas não se relacionassem com o filme, até porque quando comecei com a pré-produção o país não apresentava sinais tão decadentes como os que sentimos hoje.. mas conforme o tempo foi passando, verifiquei que a curta estaria a ficar cada vez mais pertinente e atual.

Fico muito contente que esteja a ter algum sucesso e que as pessoas se tenham interessado por este projeto. Penso que tem uma mensagem muito forte por causa dos tempos difíceis que atravessamos e acho que foi isso que levou as pessoas a simpatizarem com “O voo da Papoila”. O mais importante para mim é que seja visto pelo maior numero de pessoas possível. 

Que te parecem eventos de curtas-metragens mais informais como o Shortcutz?

Pessoalmente, adoro o Shortcutz e penso que quanto mais eventos se fizerem do género, melhor para o cinema em portugal.

Tens algum novo projeto?

Neste momento estou a passar uma fase de transição na minha vida.. tenho estado a produzir e a realizar todos os meus novos projetos.

Estou a tentar colaborar com antigos colegas de curso que estão interessados em aprender a fazer cinema, com companhias de Teatro, artistas, atores e músicos. No último mês produzi 4 videoclipes e tenho em vista 3 curtas metragens que estão em pré produção, mas são projetos que ainda tenho de ver se são viáveis por falta de financiamento. No entanto, vou tentar filma-los mesmo sem dinheiro. Quero testar-me.. e penso que dentro em breve irei reunir uma equipa de vários talentos para trabalharmos em conjunto e mostrarmos do que somos capazes, mesmo em tempo de crise. Se a situação piorar em Portugal, talvez me sinta obrigado a sair do País.. espero que não chegue a tanto, mas estou preparado para outros voos.

 
 
 
 
 
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