Filho de pai francês e mãe islandesa, o ator Tómas Lemarquis cresceu na Islândia. Licenciou-se em artes dramáticas em Paris e participou em várias curtas-metragens e numa longa, “Villiljos”, antes de reencontrar o realizador Dagur Kári no filme que lhe deu projeção internacional: “Noi, o Albino”.
Desde aí, a sua carreira entrou num crescendo, variando entre projetos de menor orçamento e escala, como “Stefan Zweig: Adeus, Europa” e “Não Me Toques”, e grandes produções como “X-Men: Apocalipse”, “Snowpiercer” e “Blade Runner 2049”.
“Estou muito mais relaxado agora que no início da carreira”, explicou-nos Lemarquis à porta do Cinema Galeries, em Bruxelas, onde se preparava para ver o segundo filme do dia que teria de avaliar já que faz parte do júri do Festival Internacional de Cinema de Bruxelas. “Foi assustador no início, e ainda pode ser ocasionalmente, mas agora tens mais experiência para lidar com tudo como ator. Neste momento estou mais conetado com o meu interior e tenho a sensação que as coisas melhoram com o tempo”.
Ator que usa o físico como arma e que, como nos disse no passado, cansou-se de ser vilão, Lemarquis admite que quando começou a atuar e teve o sucesso com “Noi, o Albino”, apenas queria fazer cinema de autor, mas depois as coisas mudaram. “Comecei a interessar-me por novas experiências, trabalhar em diferentes universos, direções”, diz-nos, mencionando ainda o enorme prazer que foi trabalhar com cineastas como Denis Villeneuve e Bong Joon Ho. “Aprendemos sempre coisas com os realizadores e também com os atores”.
Sobre o sul-coreano, não hesita em dizer que gostaria do reencontrar novamente e, instigado por nós, lá admite que se o cineasta o convidasse para um novo “Snowpiercer“, aceitaria. “Não olho muito para trás, gosto de colecionar experiências, mas adoraria voltar a trabalhar com Bong Jooh ho. Se ele me oferecesse o papel num novo “Snowpiercer“, faria-o, mas não é uma fantasia, um sonho.”

A pandemia, e a interrupção das filmagens, afetou muitos atores e equipas de filmagens, mas Lemarquis agradece o facto de ter podido continuar a trabalhar. “Tive sorte, estava a filmar uma série francesa para a Netflix. Com tanta coisa parada tive muita sorte, por isso não me queixo”. Ele adiciona ainda que é um daqueles atores que para “entrar na pele das suas personagens” continua o seu trabalho de ator após as filmagens encerrarem ao fim do dia: “Ando na rua vestido como a personagem.”.
Quanto ao futuro, o islandês diz: “Trabalhei para a Netflix, estou agora a filmar um pequeno projeto independente na Islândia, e se tudo correr bem vou filmar em Malta, em setembro, um filme de ação norte-americano. Vou ter um cameo (…) Tenho também sonhos de realizar e até já filmei um documentário. Estou a trabalhar numa docuficção e tenho um projeto de longa duração que desenvolvo há largos anos. Blockbusters não são o meu foco como cineasta”.

