O ator islandês, mais lembrado hoje em dia pelo seu protagonismo em Nói, o Albino, de 2003, esteve em Lisboa para a divulgação do seu novo trabalho, o filme Insensíveis, realizado pelo espanhol Juan Carlos Medina e que estreia hoje (19/09) no país.
Presente na recém terminada edição do Motelx, onde a obra teve sua antestreia nacional, Tómas Lemarquis conversou com C7nema sobre o seu personagem, as lembranças de seu trabalho mais famoso e as perspetivas que busca para a sua carreira. Entre estas, está o objetivo de não aceitar mais papéis de vilão – que lhe são invariavelmente oferecidos em virtude da sua aparência física: ele é completamente calvo e sem sobrancelhas, condição originada em virtude de uma doença chamada alopécia.
Mas não será por este filme que ele se livra da fama de bad guy: neste árido mergulho a uma sinistra realidade da Guerra Civil Espanhola, Lemarquis interpreta a versão adulta de um menino que foi privado de uma vida normal, vítima das superstições das autoridades de uma aldeia, por ser insensível à dor física. Ao crescer torna-se uma estranha espécie de monstro… Insensíveis tem coprodução portuguesa – através da Fado Filmes.
Como foi a sua entrada no projeto?
Eu penso que fui o primeiro ator a ser selecionado para o filme. Isso foi em 2006. Passou-se um longo tempo enquanto se tentava juntar o dinheiro para concretizar o projeto. Aproveitei o período para me fortalecer fisicamente, correr, ir ao ginásio, enfim…
A sua personagem é uma espécie de monstro. Como foi a sua composição?
Ele parece um monstro aos outros, mas não se vê como um. Ele tornou-se alguém assim pelas circunstâncias. Ele não consegue perceber que está fazer algo mau, nem perceber que tipo de dor está a causar, pois é algo que não sente.
Que lembranças tem de “Nói o Albino”?
Oh, lembro-me de muitas coisas! Eu era muito novo e aquele foi meu primeiro papel importante. Pude viajar pelo mundo, foi uma experiência maravilhosa. E também abriu-me imensas portas. Ainda hoje oferecem-me papéis por causa deste filme. Para dar um exemplo, ainda há pouco estive em Paris na antestreia de Snowpiercer (*), que foi o meu primeiro papel numa grande produção internacional, e para a qual fui lembrado por causa de Nói, o Albino, que fiz há dez anos atrás.
Por outro lado, não foi fácil depois disto, ao contrário do que poderia parecer, no sentido de que apareceriam muitos papéis. Eu fiquei sem trabalho por um bom tempo, depois vim para o continente, vivi na Alemanha, depois em França.
Que pode dizer sobre a sua participação em Three Days to Kill**?
Bem, na verdade não tenho permissão para dizer muito! O meu papel é pequeno, mas foi interessante por contracenar com Kevin Costner, que era uma lenda quando eu era garoto.
E o Snowpiercer?
Foi a minha primeira grande experiência internacional, foi excelente trabalhar com Bong Joon-ho, é um grande realizador e uma excelente pessoa. É um desafio enorme entrar nesta espécie de blockbuster, num filme de ação com conteúdo, que fala de classes sociais.
Já tem novos projetos?
Não, estou à espera de respostas para castings. Eu tenho algumas portas abertas agora, então tenho que fazer as escolhas certas. Por causa do meu físico oferecem-me sempre certos tipos de papéis, mas eu não quero ser sempre vilão em filmes B! (risos).
* Snowpiercer: filme de Joon-ho Bong com Chris Evans como protagonista e ainda sem data de estreia em Portugal. A história passa-se num comboio em permanente movimento, único lugar onde um grupo de pessoas sobrevive ao colapso climático do planeta.
**Three Days to Kill: obra coescrita e coproduzida por Luc Besson e realizada por McG, com Kevin Costner e Amber Heard nos papéis principais. Tem previsão de lançamento para fevereiro de 2014.

