Com aproximadamente 3h30 de duração, com um interlúdio pelo meio, o regresso de Brady Corbet (A Infância de Um Líder; Vox Lux) a Veneza tem gerado aquele tipo de buzz característico que o indica como forte candidato ao Leão de Ouro. Filmado em 70mm, consta que as exigências do formato obrigaram a equipa a transportar 26 rolos de película, pesando cerca de 136 kg, para Itália.
Escrito em parceria com Mona Fastvold, entre a análise do trauma histórico e a visão artística que deram origem às grandes obras da arquitetura brutalista americana de meados do século passado, “The Brutalist” narra a jornada do arquiteto judeu nascido na Hungria, László Tóth (Adrien Brody), que emigra para os Estados Unidos em 1947 para experimentar o “sonho americano”. Inicialmente forçado a trabalhar na pobreza, depressa ganha um contrato com um cliente misterioso e rico, Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce), que irá mudar o curso dos próximos 30 anos da sua vida. Felicity Jones interpreta a mulher de Tóth, Erzsébet, enquanto Joe Alwyn faz o papel do filho do rico industrial. Alessandro Nivola, Jonathan Hyde, Isaach De Bankolé, Raffey Cassidy, Stacy Martin, Emma Laird e Peter Polycarpou fazem ainda parte do elenco.
“Este foi um filme incrivelmente difícil de fazer. Hoje estou muito emocionado porque ando a trabalhar nele há sete anos e senti uma urgência todos os dias durante a maior parte de uma década. Estou muito grato a todos os que passaram três horas e meia com ele”, afirmou o cineasta em Veneza, na habitual conferência de imprensa, abordando igualmente a longa duração da obra: “Acho que é parvo ter uma conversa sobre tempo de duração do filme, porque é como criticar um livro por ter 700 páginas em vez de 100.” Mencionando que a duração está ligada ao que há para contar, Corbet diz que no seu próximo projeto talvez só necessite de 45 minutos, e que deveria ser autorizado a fazê-lo. “A ideia de que temos que nos encaixar numa caixa é bem tonta”, afirmou. “Já deveríamos ter passado disso, estamos em 2024. Como o Harmony Korine disse no passado, o cinema está preso no canal do parto.”

Reconhecendo que deliberadamente fez referência a filmes do passado, Corbet explicou como olhou para a coreografia de filmes como “Rope“, de Alfred Hitchcock, e muitos filmes filmados em VistaVision, porque nessa altura a câmara era ainda maior do que é agora, e isso afetava de a mise-en-scène. “Tentámos restringir-nos, apesar de sermos capazes de colocar uma câmara numa Steadicam e de termos à nossa disposição tecnologia que não tínhamos antes, e fizemos o nosso melhor para tentar evocar um estilo de filmagem do passado“.
Questionado sobre a sua personagem, Adrien Brody mencionou a própria mãe, a fotógrafa Sylvia Plachy, como inspiração para dar vida ao seu László Tóth: “Ela fugiu da Hungria em 1956 durante a revolução húngara, foi refugiada e emigrou para os Estados Unidos, e assim como László, começou de novo e perseguiu o sonho de ser uma artista (…) Entendo muito sobre as repercussões disso na sua vida no seu trabalho como artista, o que eu acho que é um paralelo maravilhoso com as criações de László e como elas evoluem e como a psicologia do pós-guerra influencia o seu trabalho“.
“The Brutalist” tem a sua estreia em Veneza esta noite. O festival prossegue até dia 7 de setembro.

