Vinda de um drama pesado denominado “Marguerite et Julien”, a atriz, argumentista e realizadora Valérie Donzelli optou por uma comédia com toques fantasia moderna para falar da vida das mulheres que não resumem a sua existência aos filhos, ao marido, à família ou apenas à carreira.

Com um toque autobiográfico, até porque a cineasta estudou arquitectura, Donzelli escolhe Paris para nos mostrar uma mulher fracassada na sua área que vê por desígnios do destino a sua maqueta em torno  da renovação do adro da catedral de Notre Dame de Paris ganhar um concurso promovido pela cidade, tendo para isso ao seu dispor mais de cem milhões para executar uma obra que coloca a famosa catedral ainda mais presa aos dois mundos a que pertence: a de objeto histórico de culto religioso e o de atração turistica.

Com personagens secundárias extremamente “fora da caixa”, a começar pelo seu ex-marido preguiçoso com apetência para andar nu, até uma nova paixoneta que se intromete pelo caminho, passando por uma irmã intrometida (Virginie Ledoyen em boa forma), Donzelli  – no papel titular de Maud Crayon- entrega um registo hilariante onde romance, fantasia e o surreal se fundem para criar uma peça curiosa que nunca esquece as suas raízes profundamente parisienses. E isso vê-se em sequências espatafurdias quotidianas, como a do homem que estranhamente vai distribuindo chapadas aleatoriamente na rua, ou nos protestantes que amaldiçoam Maud pela sua obra.

Em suma, um filme divertido, ligeiro e que assenta que nem uma luva numa cineasta habituada a entregar peças mais dolorosas e reflexivas, com o seu inesquecível Declaração de Guerra”, também ele de cariz autobiográfico.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
notre-dame-de-paris-fabula-comica-parisiense-traz-fantasia-ao-mundo-de-valerie-donzelliUm registo hilariante onde romance, fantasia e o surreal se fundem para criar uma peça curiosa