Em setembro de 2017, o ator Liam Neeson – que teve um segundo despertar cinematográfico após ter de resgatar a filha raptada em “Taken-Busca Implacável” (2008) – anunciava que iria abandonar o cinema de ação, pois não conseguiria – certamente – continuar a fazer o público acreditar no seu “set of skills” quando caminhava a passos largos para ser um septuagenário.

Três anos depois cá está ele naquilo que outrora seria um papel que encaixaria mais num Robert Redford, na linhagem “O Cavalheiro com Arma” (2018). Mesmo gostando de Neeson, este não pertence ao mesmo campeonato de Redford, tal como esta fábula do bandido honesto não se equipara aos esforços anteriores de Redford no género. Este último – nas suas personagens – é todo cérebro, enquanto Neeson divide cérebro e músculos como se ainda não tivesse 68 anos e não se notasse isso.

Na verdade, “Honest Thief” (Um Último Golpe) é demasiado genérico para marcar a carreira do ator e o que se vislumbra em cena é apenas e só mais um filme de ação que explora o Neeson de “Busca Implacável”, sem qualquer elemento marcante que leve a obra e a sua interpretação mais além. Esta história de um criminoso que por amor decide devolver uma grande soma monetária para se reformar e viver os últimos dias com a sua cara metade tropeça em dois agentes do FBI gananciosos que querem ficar com o dinheiro para eles. O resto é o que imaginam. Traído, Neeson procura repor a verdade entre murros, explosões e armadilhas, tentando finalmente viver em paz. 

Entretenimento ligeiro sem malabarismos memoráveis, “Um Último Golpe” é cinema em piloto automático, retirando do seu protagonista o máximo que pode do seu carisma construído na última década, entregando um guião derivativo e pouco ambicioso. Os secundários estão por aqui ao serviço dele, e tirando o ver o exterminador mais implacável de todos – Robert Patrick de “T2” – no papel de “bom da fita” atraiçoado acaba por ser a segunda e única mais valia por aqui.

Nisto, “Honest Thief” (Um Último Golpe) diverte e serve como produto rápido de consumo. É cinema industrial em toda a linha que chega certamente para o consumidor de cinema pouco exigente. Para os outros, é meramente descartável.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
um-ultimo-golpe-liam-neeson-em-piloto-automaticoEntretenimento ligeiro sem malabarismos memoráveis, “Um Último Golpe” é cinema de ação em piloto automático