Algures dentro de Malasaña 32 existe um bom filme sobre um espaço que condensa os traumas não exorcizados do franquismo, mas o realizador Albert Pintó, na sua estreia a solo, prefere dar primazia a todos os lugares comuns e marcas estereotipadas do subgénero de casas assombradas, transformando uma potencial brilhante alegoria num objeto banal que sobrevive de “Jump Scares“, a maioria dos quais com recurso ao truque banal do aumento exagerado do volume.
Espécie de “Poltergeist” em Madrid, especialmente quando a meio somos apresentados a uma vidente mística (Concha Velasco), “Malasaña 32” segue uma família que se muda do campo para a cidade em pleno período de transição da sociedade espanhola do franquismo para a democracia 1974-78. Apesar de também se terem mudado para Madrid por questões monetárias e laborais, sente-se que neles existe outra razão (moral), acabando o grupo por se fixar num apartamento na rua Malasaña, onde anos antes algo terrível aconteceu – e que vislumbramos logo no início do filme.
A partir desta chegada começa um chorrilho interminável de acontecimentos aterrorizantes, sendo principalmente afectados os mais jovens e o avô, que a bem dizer são aqueles que permanecem mais tempo sozinhos na habitação. Claro está que aos poucos o filme vai desvendando os segredos da casa e dos seus anteriores habitantes, mas tudo de um jeito previsível e semelhante [nos procedimentos e técnicas] a tantos outros filmes do género, como “A Mansão do Diabo” e “Conjuring- A Evocação”, passando até pelo recente “Verónica” [que também acontecia em Madrid, mas nos anos 90].
Na verdade, Albert Pinto não demonstra qualquer chama criativa além da do bom aluno que sabe replicar truques de terror já vistos e revistos . E claro, para mostrar que se é um bom aluno não faltam todas a marcas e objectos que de geração em geração têm sido usadas para inspirar e criar suspense no género do terror, como os crucifixos, relógios de parede, retratos velhos, cadeiras de baloiço, televisões (e programas infantis de culto), gramofones (e músicas místicas), máquinas de costura e até um telefone que não pára de tocar. Tudo está aqui presente, mas tudo soa mais a uma lista de elementos da “feira de horror” que o cineasta montou do que propriamente a algo que realmente acrescente força à narrativa.
O mesmo se aplica ao trabalho sonoro e à iluminação, que poderiam ser mais sugestivas e menos demonstrativas, em particular na segunda metade do filme. No fundo, tudo se resume a isso. “Malasaña 32” é como uma casa-modelo, um expositor, uma vitrine. Nela estão todas as marcas do subgénero de terror que envolve casas-assombradas, mas isso não faz um bom filme. Apenas mais um…















