Há uns anos, o ator, realizador, argumentista e comediante Michaël Youn descobriu, enquanto folheava uma revista de fofocas num aeroporto, que a sua companheira andava a enganá-lo com um outro ator. 

Essa situação serviu de base para todo este “Divorce Club”, uma farsa sobre um homem (Youn) que descobre que a mulher o está a enganar numa apresentação pública em que alguém se esqueceu de desligar o microfone. Desta situação bizarra, exagerada e pateta – mas que como já vimos é inspirada em algo real – nasce um filme que tenta, nos dias que se dizem politicamente corretos – abanar um pouco o sistema com um humor espalhafatoso característico das comédias dos anos 80 e 90 sobre trintões e quarentões a voltarem aos tempos de solteiros e a necessitarem de colocar as suas vidas novamente nos eixos da diversão após a desilusão.

Pense-se em “Solteiros e Tarados” ou, mais recentemente, em “Dias de Loucura“, mas bem longe do resultado de qualquer um. Se o estatuto de roteiro previsível neste género de comédias era algo mais que aguardado, não o era a total inércia da construção de personagens secundárias cómicas, bem como o humor negro duvidoso que não consegue mais que fazer-nos pensar em: “eis uma piada complicada para estes tempos”. Veja-se por exemplo o momento em que alguém diz que está tão excitado como Harvey Weinstein antes de um casting, uma daquelas tiradas corriqueiras que nem sequer faz rir, mas que transmite aquela sensação de comédia pseudo-livre arrojada que choca com os tempos atuais em que se fala em contenção e auto-censura dos comediantes para não ferir suscetibilidades.

E o filme é tudo isto, um amontoado de situações que se dizem cómicas, mas que se revelam essencialmente macho-deprimentes e já vistas, estando Youn no centro de tudo em modo de “One Man Show“, a entregar comédia e romance de forma artificial, mas no fundo a fazer um “stand up comedy” cinematográfico, onde todas as cenas e sequências adaptam-se à persona que criou na indústria francesa do entretenimento.

E mesmo indo buscar influências às comédias americanas espalhafatosas, e a êxitos recentes gauleses na estrutura de história de malapatas que se acumulam ao desbarato (a franquia “Babysitter“, por exemplo), Youn não consegue entregar nada de novo, nada de minimamente interessante, sendo particularmente sofrível o último terço, quando ainda tentar dar uma lição de moral sobre relações, compromisso e amizade.

E apesar de aqui e ali soltar-se uma gargalhada esporádica, mais a rir do filme que com ele, na maioria do tempo estamos entediados e aborrecidos a ver a personagem de Youn a humilhar-se e provavelmente a fazer terapia enquanto acumula uns euros. Que bom para ele, que tédio para nós.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
divorce-club-o-ultimo-suspiro-da-comedia-macho-deprimenteComédia macho-deprimente já vista e revista