Se nos adolescentes e jovens adultos a Netflix poderá encontrar uma real concorrência da Disney +, devido aos filmes de super-heróis e o universo Star Wars, no segmento de histórias para público infantil e pré-adolescente que caberiam no Disney Channel ou Nickelodeon, a situação parece controlada, como este “Sente o Ritmo” exemplifica, arrecadando durante vários dias o 1º lugar do top da plataforma.
Genérico, previsível e recheado de todos os lugares comuns, esta história típica de ascenção-queda-ascensão de uma rapariga de uma pequena cidade, que vai para a “selva de Nova Iorque”, renega as origens com toda a sua arrogância e esplendor, tendo de regressar após as coisas correrem mal, é algo frequentemente batido na tecla cinematográfica e televisiva, ao sabor quase das estações do ano, ou seja, todos os anos há um ou mais projetos assim num meio qualquer.
Sem subtileza ou imprevisibilidade, quer no arco dramático, quer nas entrelinhas do romance, quer na construção das personagens secundárias, ou até nas coreografias de dança (sim, é um filme de dança sem qualquer rasgo artístico), quem normalmente sai realçada nestas produções são as suas “estrelas”, neste caso a jovem Sofia Carson, conhecida pelo seu papel nos telefilmes da Disney, “Os Descendentes“.
No papel da talentosa mas emproada April, Sofia deixa indicações de ser um nome e rosto a reter, mas ainda assim é apenas nos momentos em que o filme entra no mundo e problemas familiares dos seus pequenos pupilos que surge algum realismo e genuinidade.
E a visível dupla decadência – económica dos pequenos lugares / moral das gentes nas grandes metrópoles – que podia gerar alguma reflexão e até debate (como tantos filmes semelhantes já o conseguiram) é apenas usada como um dispositivo ao serviço de um guião cujo entretenimento, o vulgo “passar o tempo“, é o único propósito.















