O termo confinado ganhou particular relevo em 2020, nesta era pandémica, mas há muito que o cinema tem explorado o formato thriller reduzido a pequenos espaços, tendo nas últimas décadas surgido uma verdadeira vaga de obras que se desenrolam num único espaço atípico, seja esse uma “Sala de Pânico à la David Fincher, uma “Cabine Telefónica” à Joel Schumacher, um caixão (“Enterrado“), uma secretária (“O Culpado“), ou até veículos (“Speed“; “Locke“; “O De$conhecido“). 

Em “7500” – referência ao código internacional para sequestros aéreos – praticamente toda a ação concentra-se no cockpit de um avião, e Joseph Gordon-Levitt é um co-piloto que terá de lidar com uma situação de terrorismo a grande altitude, entregando uma prestação segura e dinâmica, mas que infelizmente não tem retorno de um guião que vai perdendo os “motores” à medida que a história avança.

Assinado pelo alemão Patrick Vollrath, cujo curta  “Everything Will Be Okay foi nomeada ao Oscar em 2016, “7500” começa bem, introduzindo as personagens e criando, pouco a pouco, uma ligação emocional do público com elas. Depois vem o sequestro e aqui a binaridade de todas as outras personagens (boas/más) e alguns conflitos internos mal resolvidos fazem-nos distanciar emocionalmente, ainda que o nosso protagonista e o cenário minimalista nos mantenham a nós mesmo confinados naquela situação durante toda esta atribulada viagem. 

Nesse aspeto, brilha o trabalho do diretor de fotografia Sebastian Thaler, em particular na iluminação e posicionamento da objetiva num espaço que se quer claustrofóbico e que irá funcionar para quase todas as cenas, mostrando ação, drama e até romance. 

Seguindo a veia de “United 93“, mas mantendo os passageiros sempre à distância de uma porta blindada que separa o piloto da restante tripulação, observando o espectador a sua interação por uma pequena televisão dentro do cockpit, “7500” é assim um thriller que quer ser daqueles de roer as unhas até ao final, mas que caindo nos lugares comuns do género e na falta de pujança dos vilões  embarca no mais básico dos modelos do cinema mainstream: para ver e esquecer…

Pontuação Geral
Jorge Pereira
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