Depois de Patients (Passo a Passo), que levou aos cinemas gauleses mais de 1,2 milhões de espectadores em 2017, o músico e poeta Grand Corps Malade e o realizador Mehdi Idir filmaram La Vie scolaire, drama escolar que tanto “pesca” influências em A Turma de Laurent Cantet como a Mentes Perigosas de John N. Smith, culminando mesmo com o tema musical que se destacou no filme protagonizado por Michelle Pfeiffer.
Passado nos subúrbios parisienses, mais propriamente na comuna francesa onde o cantor passou a infância, Saint-Denis, La Vie scolaire mostra as dificuldades de um grupo de professores e da nova presidente do conselho diretivo (CPE) em lidar com uma turma de alunos problemáticos, cujas vidas estão recheadas de violência, abandono e segregação. Olhando para os filmes mencionados, e pensando em mais alguns (O Ódio Que Gerou o Amor, por exemplo), esta nova incursão de Grand Corps Malade e Mehdi Idir por terrenos do drama social não acrescenta muito ao género, nem tem uma identidade própria que o destaque dos demais, sendo ainda assim na sua simplicidade, no contornar os clichés (que existem) e num claro desinteresse em seguir o rumo dos filme de superação açucarado – onde tudo acaba bem e com distinção (como Páginas de Liberdade de 2007; ou Uma Turma Difícil, de 2014) – o que separa verdadeiramente este dos crowd pleasers mecanizados que nos últimos anos entopem o cinema gaulês, muitas vezes inspirados nas citações de Victor Hugo em Os Miseráveis.
E embora seja previsível e de construção fundamentalmente académica (tudo certinho e bonitinho na narrativa e técnica, sem sujar as mãos ou arriscar muito), A Vida Escolar faz a certo ponto lembrar Passo a Passo, que se baseava na própria experiência de vida de Grand Corps Malade e que, apesar de ser um drama da cabeça aos pés, não deixava de ser pontuado por momentos de humor refrescante e vários não-atores (como aqui) que afastam o cenário de caça a lágrima fácil.
Nisto, Grand Corps Malade e Mehdi Idir vão deixando a sua marca no cinema gaulês, mas aqui podemos dizer que não foi um passo em frente, nem tão pouco atrás. Essencialmente, é um passo para o lado – o de um filme que mais rapidamente do que se pensa vai desaparecer das nossas mentes.















