O filme está disponível na Netflix

No meio de uma indústria cinematográfica cada vez mais ajustada ao “politicamente correto” e à auto-censura dos seus autores, há filmes que tentam contrariar a tendência, mas outros – como este Coffee & Kareem – demonstram demasiadas fragilidades e oportunismo na sua suposta irreverência ao simplesmente repetirem histórias agora com uma lavagem grotesca à espera de serem apelidadas de lufada de ar fresco e hinos de insubordinação na indústria.

Nada mais errado, pois o que Coffee & Kareem revela ser é um suspiro moribundo de ar putrefacto, um bolorento Frankenstein que se diz cómico, mas que a única coisa que consegue é transferir dos anos 80 para agora a “vibe” das comédias policiais que colocam dois intervenientes muito diferentes na senda de desmascarar o crime organizado.

Chega a ser doloroso, para além de entediante, assistir à dinâmica entre Ed Helms, Terrence Little Gardenhigh e Taraji P. Henson nesta coleção viva de clichés que se acha engraçada proporcionalmente ao número de palavrões e piadas sexuais, raciais e homofóbicas que debita por m2 – tudo a partir da dinâmica de um policia branco que tem uma relação com uma mulher negra e terá de lidar com o filho desta no meio de criminosos e corrupção.

Não se esperava ouro com a pouca engenhosidade ou inventividade do enredo, mas nunca imaginávamos que estaríamos perante uma verdadeira sucata a céu aberto, até porque o filme anterior de Michael Dowse (Stuber), apesar de não ter sido um ex libris do subgénero, não era de todo uma verdadeira sucateira a céu aberto. E é isso que Coffee & Kareem é: uma coleção de lixo e material obsoleto que nos contamina com tiradas emporcalhadas sem nunca conseguir ser irónico, satírico ou, simplesmente, criar o mínimo de empatia e ter graça. Um filme que verdadeiramente devem meter de quarentena.

Pontuação Geral
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coffee-kareem-a-comedia-que-devem-meter-de-quarentenaUma coleção de lixo e material obsoleto que nos contamina com tiradas emporcalhadas sem nunca conseguir ser irónico, satírico ou, simplesmente, criar o mínimo de empatia e ter graça.