Bloodshot chega aos cinemas esta semana
Cinco anos depois de surgir nos cinemas Robocop, a Valiant Comics lança no mercado Bloodshot, uma banda-desenhada que introduziu a história de um ex-soldado – Ray Garrison – com poderes de regeneração possibilitados através de nanotecnologia injetada na sua corrente sanguínea (pensem em “A Viagem fantástica” mas com nanorobôs). Ou seja, essencialmente, se no filme de Paul Verhoeven tínhamos um agente abatido (Murphy – Peter Weller) cujo corpo e mente é reaproveitado e reprogramado para criar o polícia do futuro, aqui temos um militar falecido que é reutilizado para ser ele mesmo o soldado (ou mercenário) do futuro, disposto a participar em missões arriscadas, e a ver o seu corpo regenerar-se automaticamente caso sofra danos.
Por aqui entra também em cena a questão da memória (tal como em Robocop e noutro clássico de Verhoeven, Desafio Total), mas tudo é minado com a cultura de uma editora de BD’s que tenta revitalizar e criar o seu próprio mercado (de anti-heróis) na sombra das gigantes Marvel e DC. Há também tiques de Terminator (a regeneração corporal lembra em T2 a reconstrução “líquida” do vilão); Matrix, não só pela capacidade de aprendizagem imediata do nosso soldado implacável, como pela estética pós “bullet time”, tão explorada com estilo por Zack Snyder em Watchmen ou Sucker Punch e Memento, nem que seja por a memória ter um papel central na história e Guy Pearce andar a brincar com ela.
A questão é que no meio de tanta lembrança que o filme nos traz de vários elementos da cultura pop (cinema, comics, videojogos, etc), com o especialista em efeitos visuais Dave Wilson ao leme da realização, o que sobressai acima de tudo é Vin Diesel em todo o seu esplendor e canastrice.
O verdadeiro “drama” do cinema de ação atual é que não tem tido uma renovação geracional dos seus astros, por isso vemos sempre os mesmos, verdadeiros veteranos a conduzirem os filmes mais com as suas “personas filmícas” do que a incorporarem ou criarem figuras novas. É assim com Tom Cruise (57 anos), Dwayne Johnson (47 anos), Mark Wahlberg (48 anos), Liam Neeson (67 anos) e Vin Diesel (52 anos), não existindo grande diferença entre o Roy Garrison/Bloodshoot daqui ao Riddick, a Xander Cage (xXx), ou a Dominic Toretto (Fast and Furious). A força bruta, o registo de vingança (familiar), o humor e as eternas frases feitas misturaram-se ao longo dos tempos para criar uma estrela do box-office que tenta aqui abrir porta a mais uma franquia.
O que se capitaliza pois neste filme é o ator e a imagem construída em torno de si, sendo tudo o resto periférico e já visto e revisto, com mais ou menos espetacularidade no campo da ficção científica.















