Spenser Confidential está disponível na Netflix
Mark Wahlberg e Peter Berg colaboram pela quinta vez nesta adaptação cinematográfica de Wonderland, uma das novelas escritas por Ace Atkins com base na personagem de Spenser criada por Robert B. Parker. Mas todo este passado, essas bases, são apenas apontamentos, pois Berg, aqui num registo mais ligeiro e longe das histórias baseadas em eventos reais (O Sobrevivente; Horizonte Profundo – Desastre no Golfo; Patriots Day – Unidos Por Boston) molda toda a sua obra e personagens em função da persona de Wahlberg, o grande condutor desta orquestração de cinema de ação em modo déjà vu. O que se mantém desses dramas é o carimbo do cineasta, do ator e também do produtor (Neal H. Moritz) nos guiões dos seus filmes, ou seja, a eterna luta do pacato norte-americano pela defesa dos valores da justiça e de permanente luta contra a corrupção moral dos golias corruptores.
Por aqui, Wahlberg é Spenser, um policia caído em desgraça e detido por cinco anos após agredir um superior que tinha espancado a esposa. A ação começa imediatamente quando Spenser está prestes a sair da cadeia, tendo como “festa de despedida” um “arraial” de pancadaria organizado por alguns detidos ligados à irmandade ariana, na qual se incluem o músico Post Malone.
Já livre, e em fuga da sua antiga companheira, que anda desvairada a tentar encontrá-lo, Wahlberg torna-se o suspeito número um quando o antigo polícia que espancou aparece morto na primeira noite que está longe das grades. Aparentemente o assassino foi um outro polícia, mas Wahlberg não acredita e parte em busca da verdade. O resto é pancadaria, vilões estilizados agarrados a uma nacionalidade qualquer (os dominicanos, os trinitários, o irlandês) e um esquema de corrupção dentro da própria polícia.
Berg tem em mãos uma história que também caia que nem uma luva em Michael Bay, mas a sua forma mais contida, ou antes, menos espalhafatosa e “anónima” de filmar e montar (não existem grandes marcas de estilo no autor) transformam este objeto num “buddy film” derivativo (o resultado de uma busca algorítmica) tão fácil de seguir como de esquecer à mesma velocidade. Há tiques e “vibes” do cinema dos anos 80 por todo o lado, com filmes como Caça Polícias, Arma Mortífera e 48 Horas a virem à mente, mas tudo lavado modernamente numa história de mafiosos que bem podia se chamar um “The Departed 2.0″, versão beta com demasiados bugs.
E é isso que o filme é, um projeto “pastilha elástica”, daqueles que se mastigam, dão algum sabor instantâneo, mas que se descartam sem ficar nada agarrado à nossa boca (e mente). Talvez a forma “low profile” de Winston Duke seja mesmo o mais memóravel.















