«Les garçons et Guillaume, à table!» (A Mamã, os Rapazes e Eu) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

O cinema vive de modas, e há determinadas temáticas que, entrando no filme, são sinónimo de sucesso e elogios à astúcia inteletual e coragem. Bem, quando se torna banal deixa de ser corajoso e, ainda que faça o gáudio da crítica, e se farte de ganhar prémios, é como a mosca da fruta: terá pouco mais de um par de semanas de vida.

Em A Mamã, os Rapazes e Eu, filme baseado na peça de teatro de Guillaume Gallienne do género “one man show“, seguimos Guillaume (Guillaume Gallienne), filho de uma mulher temperamental (interpretado por ele também), com mais três irmãos, sendo ele uma espécie de “rejeitado” dentro do próprio seio familiar. Guillaume tem uma particularidade: gosta de vestir-se de mulher o que, para a família, é sinónimo de homossexualidade e, para os críticos de cinema, é sinonimo de argumento audaz que crítica a homofobia.

Sim, é verdade, a temática do género é amplamente abordada, assim como essa exploração por parte da personagem de Guillaume. No entanto, a abordagem é algo grotesca, óbvia e nada original. Daí que as comparações que têm sido feitas com Pedro Almodóvar, por exemplo, pareçam, no mínimo, exageradas.

Apesar disso, a verdade é que Guillaume mostra alguma mestria ao pôr o filme todo sobre as suas costas. Nesse aspeto, a naturalidade com que fala com ele próprio (pois é simultaneamente mãe e filho) acaba por ser o que melhor funciona no filme.

Assim, e apesar de todos os prémios que vem recebendo, A Mamã, os Rapazes e Eu vive e é simplesmente Guillaume Gallienne. Fora do seu espectro de ação é nulo, tal como a sua capacidade de entreter, ou – sendo uma comédia – de fazer rir. Em certos pontos torna-se até entediante.

O melhor: Guillaume Gallienne a falar com Guillaume Gallienne
O pior: Tudo o resto


Nuno Miguel Pereira

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