
Fredrik Bond estreou-se em 2013 com a sua primeira longa-metragem, The Necessary Death of Charlie Countryman.
Nesta obra acompanhamos Charlie (Shia LaBeouf), que em luto parte para Bucareste. Aqui irá conhecer e apaixonar-se por Gabi (Evan Rachel Wood), ignorando os perigos que esta paixão lhe trará por parte do seu marido, Nigel (Mads Mikkelsen).
Felizmente para o resultado final, Zac Efron não chegou a substituir LaBeouf, que tem aqui das suas melhores interpretações até à data. O ator cresce e vive intensamente o seu papel. Uma prova é a sua dose de sacrifício ao ter tomado LSD numa determinada cena para a tornar mais verosímil.
É uma aposta agradável de Fredrik Bond e assistimos a uma obra interessante e portadora de um estilo próprio, quer pelo modo simultaneamente divertido e sombrio com que aborda um amor fatal, quer pelo ritmo rápido imposto na narrativa.
Os problemas surgem na segunda metade, em que notamos uma escassez de originalidade e assistimos à repetição do mesmo, ainda que com uma maior intensidade. O protagonista passa o filme todo apoderado pelo medo, mas ignora-o, talvez pela sua ingenuidade, ou pela força do amor. O vilão revela-se uma fragilidade do filme, na medida em que se rege a estereótipos de outras personagens já interpretadas por Mikkelsen, que mesmo sem grande esforço arranca uma prestação competente. Para completar o triângulo amoroso temos Gabi, o centro de toda a confusão, uma personagem interessante visualmente e com um background satisfatório.
The Necessary Death of Charlie Countryman demonstra ser uma viagem positiva à Roménia. Não é, de todo, uma obra marcante, mas também não ambiciona ser. Mesmo que seja uma odisseia algo repetitiva, o aborrecimento não se manifesta na sua visualização graças ao ritmo rápido que esta possui e ao visual interessante.
Terminando, o filme possui ainda uma certa identidade e isso ninguém lhe tira. Tudo é caricato, desde a desgraça ambulante que persegue o protagonista até ao título (em inglês). No final temos então um resultado agradável, ainda que isso não seja suficiente, pois dá-nos a sensação de que falta algo, um elemento ou ingrediente para tornar esta obra mais marcante, visto que a reflexão após a visualização ocupa-nos o pensamento por pouco tempo. Talvez devido a uma história demasiado minimalista e não muito credível. Ainda assim, entretenimento com muita qualidade.
O melhor: Labeuf revela estofo para protagonizar; a banda sonora; o estilo.
O pior: Cai numa certa monotonia; o ritmo apressado; um argumento pouco credível.

Miguel Pinto

