
A mais nova adição à série de filmes X-Men chega finalmente às salas de cinema e Bryan Singer, a passar um mau bocado com os escândalos de abuso sexual de menores, não se poderá queixar da sorte em termos profissionais: X-Men Dias de um Futuro Esquecido está destinado a ser um sucesso na bilheteira, já o estando a ser na crítica [ao momento deste texto apresenta 9,2 no rating dos users da IMDB e 73/100 (talvez este o dado mais relevante) no Metascore das críticas].
A história da presente obra tem início num futuro da linha temporal do pior filme, até à data, da saga, X-Men – O Confronto Final. Neste futuro distópico, não muito distante, os mutantes têm de lutar constantemente pela sobrevivência. Como estar a lutar constantemente se torna inconveniente, mesmo para um mutante, a solução apresentada será enviar a mente de um dos mutantes para o passado e mudar o rumo da história. Partindo do efeito borboleta, se o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas, o “bater das asas” de um mutante é capaz de causar mais mossa. E é precisamente daqui que parte esta premissa – baseada (levemente) na obra homónima de 1981 de Banda Desenhada.
Ao fim de 133 minutos de adrenalina e mais de duas dezenas de personagens apresentadas (sem exageros), com os regressos de vários dos atores dos primeiros filmes (como Halle Berry e Patrick Stewart), é numa das novas presenças, Quicksilver (Evan Peters), que se extraem os melhores momentos. No entanto, basicamente e similarmente a outras personagens, Quicksilver faz os seus “novos truques” e desaparece, juntamente com a credibilidade das situações.
Depois é a típica lei de Murphy que vigora nos filmes do género: Tudo o que pode correr mal, corre; até mesmo aquilo que parecia fácil de resolver. Mas se fosse muito fácil o filme seria uma curta-metragem. Desta forma, meter o Wolverine a ter ataques de pânico, avizinhou-se como o mais ponderado para a trama.
Assim sendo, e ao fim de 14 anos desde o primeiro filme da saga – que vinha da sequência de maus filmes de super-heróis, como o excelentemente mau Batman e Robin –, X-men volta a tentar provar que é um filme de super-heróis para gente crescida e que foca outras questões mais profundas, num hipotético mundo apocalíptico, mas sempre recheadas de explosões de milhões de dólares capazes de cegar os mais atentos.
O melhor: Quicksilver e a adrenalina imposta durante os 133 minutos.
O pior: O desfilar de personagens com super-poderes e o acumular de situações algo tontas.

Nuno Miguel Pereira

