«Walk of Shame» (Ressaca de Saltos Altos) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

A silly season está a chegar e este Walk of Shame bem pode ser considerada a sua antestreia. Construído em torno da prestação de Elizabeth Banks (Meghan), que deu nas vistas em Virgem aos 40 anos, nesta «comédia» espalhafatosa e sem carisma seguimos uma repórter de uma estação de TV local que pode fazer a transição para um canal de maior dimensão. Com a concorrência reduzida a duas pivôs, a vida de Meghan pode dar uma grande volta, mas tudo começa mal. Primeiro o namorado acaba com ela e numa noite de copos com as as amigas, Rose (Gillian Jacobs) e Denise (Sarah Wright), conhece Gordon (James Marsden), com quem acaba a noite. Porém, ela acaba por se ver na rua sem dinheiro, sem identificação e sem qualquer meio de transporte, ficando em jogo se vai conseguir chegar a uma reunião decisiva para o seu futuro.

A resposta a esta questão já sabemos, não tivéssemos nós numa comédia romântica em modo fórmula que pelo caminho procura fazer o espectador rir lançando piadas a torto e a direito e em todas as direções. Infelizmente, Walk of Shame tem muitas gags mas pouca comédia, não só porque surge revestido por situações cliché mas essencialmente por personagens tão espessas como uma folha de papel, sendo manifestamente impossível aos seus atores conseguir mais de um guião que vagueia entre o simplório e o ilógico. De criminosos de bairro a vendedores de crack, passando por policias idiotas, confusões com prostitutas e nunca esquecendo a histeria dos média, tudo em Walk of Shame já foi visto e revisto no cinema de Hollywood, e com melhores resultados. Basta lembrar a “saga stoner” Harold e Kumar, onde no primeiro filme as duas personagens só queriam um hamburguer e acabam por ter uma louca noite nessa demanda. Ou então vamos mais atrás, a Aventuras Fora de Horas (1987), onde uma babbysitter passa um calvário com os miúdos que cuidava quando só tinha de ir a um terminal de autocarros buscar uma amiga.

Este Walk of Shame segue as mesmas linhas, ou seja: alguém tem de chegar a um local e passar por diversas situações bizarras até lá. E é particularmente doloroso assistir a esta reposição temática especialmente quando o humor se revela fraco e repetitivo. Veja-se a gag repetida até à exaustão em que Banks, por ter um vestido amarelo justo, é confundida com uma prostituta em todo o lado e por toda a gente.

A fraqueza das personagens secundárias, que normalmente são muito importantes neste género de produtos, é outro calcanhar de aquiles, num filme que se revela o típico produto que há uma década atrás iria direitinha para as prateleiras dos videoclubes.

Uma nota final para o duo Banks e Marsden. Apesar de estarem abaixo das capacidades, os dois apresentam alguma química. Como diz uma crítica do New York Times, a única coisa nesta fita que faz sentido é Banks e sair de um bar e ir para a casa de Marsden.

A evitar

O Melhor: O início
O Pior: É uma “comédia” e não tem graça. Isto diz tudo


Jorge Pereira

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