«Zulu» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Depois de Anthony Zimmer [que viria a ter um remake que mais conheceriam por O Turista] e dos dois filmes da saga Largo Winch, muitos estranharam o facto de Zulu, de Jérôme Salle, ter tido a honra de estrear-se no Festival de Cannes. A verdade é que este thriller sul africano tem as garras bem afiadas e consegue vaguear entre a dureza do crime no país e a perda da inocência e esperança de um policia que se deixa derrotar na forma como encara a vida.

No filme seguimos a forma como dois policias bastante diferentes, Ali Sokhela (Forest Whitaker) e Brian Epkeen (Orlando Bloom), lidam com o assassinato bárbaro de uma jovem. Pelo caminho da investigação vamos conhecendo as vidas de cada um deles, mas também a história de um país já fora do Apartheid mas com nitidas cicatrizes e mazelas antigas dificeis de sarar. Neste caso, Sokhela é a personagem mais torturada pelo passado, enquanto Epkeen tem dificuldades em crescer e ser o pai que o filho merece.

Com boas e frenéticas sequências de ação, um bom ritmo, interpretações em forma e uma grande dose de dramatismo na transformação (para pior e melhor) das suas personagens, Zulu revela-se um dos melhores trabalhos de Jérôme Salle, e um filme onde várias sequências merecem mais que um visionamento.


Jorge Pereira

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