Pegando na história de Tilikum, uma orca do parque temático SeaWorld, em Orlando, nos EUA, responsável pela morte da sua treinadora, a realizadora Gabriela Cowperthwaite cria dentro do género documental uma peça em forma de thriller, que quase como os filmes de ficção traça o perfil do seu assassino, questionando derradeiramente até que ponto as orcas não se tornam psicóticas em cativeiro.
Estas conclusões, obviamente, movimentaram em grande a opinião pública americana, que sempre viu estas máquinas de fazer dinheiro chamadas Parques Aquáticos como uma forma saudável e até com interesses ecológicos em preservar as espécies.
Longe de qualquer brilhantismo, embora sempre pertinente, didático e entusiasmante, Blackfish é mais que mera propaganda ecológica, até porque apesar de por vezes ser tocante, não joga do ponto de vista da manipulação sentimental com o espectador, preferindo que este raciocine com a cabeça e não com o coração.
E embora a velha estrutura das entrevistas intercaladas com imagens dos parques aquáticos e dos animais possa dar a entender que estamos perante uma obra pouco expedita, a verdade é que Blackfish é um filme inteiramente satisfatório, por vezes corrosivo, que não só dá que pensar como inicia um debate que há muito devia existir.
O Melhor: O «profile» da orca assassina
O Pior: Pouco ou nada mudou nos parques desde a sua estreia

Jorge Pereira

